A Lava Jato mudou a percepção de corrupção no Brasil?

UOL

A Operação Lava Jato, que investiga desvios na Petrobras, consolidou-se em 2015 como a maior ação de combate à corrupção da história do país. Ao longo do ano, ela revelou esquemas e colocou na cadeia empresários como Marcelo Odebrecht, o pecuarista José Carlos Bumlai e o banqueiro André Esteves e políticos como o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o ex-ministro José Dirceu. E parece ter mudado a percepção do brasileiro em relação à corrupção no país.

Pesquisas feitas pelo Datafolha ao longo do ano mostraram um grande aumento da preocupação da população brasileira com o tema. A proporção de entrevistados que apontam a corrupção como o maior problema do país saltou de 9% em novembro de 2014 para 22% em abril de 2015 e 34% no mês passado. Neste último levantamento, a corrupção alcançou pela primeira vez o topo da lista de preocupações dos brasileiros.

Para o juiz aposentado Walter Maierovitch, o resultado da pesquisa Datafolha mostra que a Lava Jato representa uma mudança cultural no país. “A operação é um marco. Algumas resistências estão caindo. Ela é tão forte a ponto de quebrar o discurso de que o mensalão [esquema de compra de apoio parlamentar que levou à condenação de políticos como o ex-ministro José Dirceu] não existiu. Ninguém tem mais coragem de dizer que ele não existiu”.

Na opinião do cientista político Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a Lava Jato produz efeitos ambivalentes na população: a ideia de que a corrupção é generalizada e, por outro lado, a sensação de que a impunidade chegou ao fim.

“A população sempre suspeitou que havia uma corrupção generalizada. Isso não é de agora. Mas não havia provas concretas. Com a operação Lava Jato, isso veio à tona. Existe um sistema de cumplicidade entres agentes públicos, o sistema político e grandes empresas”, diz Fornazieri, para quem a Lava Jato significa “uma pequena revolução republicana”.

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