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A gestão da inércia: fazendo o pouco parecer muito

A palavra município vem do latim municipium que significa “pessoa de uma cidade livre”. A etimologia que tem o potencial de gerar muitas reflexões.

Dessa forma, é interessante observar as origens e entendendo as origens, entendemos o território da ação política na cidade que vivemos.

Este é o ano de eleições municipais, quando a democracia aos moldes liberais nos chama a pensar a cidade sob a sua ordem, margem e determinação.

É o momento em que, toscamente, os problemas e questões da sociedade aparecem e são discutidos. Isso quando a discussão não se transforma em um completo espetáculo de insuficiência cognitiva.

Não é difícil notar que, em Maceió, pouco ou nada se discute sobre questões imperativas e de relevância social que nos aflige enquanto munícipes.

Aspectos socioeconômicos, por exemplo, seguem sem relevância pública. Há um aparente marasmo existencial nos habitantes maceioenses que aderem a “coisa como está” e esperam para votar nos políticos que vão mudar “tudo isso que tá aí”.

Ingenuidade? Imaturidade política? Não. Consequência de longos anos sem a figura pública de destaque político do município, o prefeito, sem aquecer o debate público com nada importante além dos momentos em que decide, deliberadamente, reduzir ou negar aumentos salariais, cumprir atividades burocráticas e colocar luzes natalinas em bairros nobres.

Pouco avanço? Nada novo.

Talvez não devêssemos esperar que políticos renovem as coisas num piscar de olhos, mas oito anos de gestão com certeza é tempo suficiente para lavarmos o rosto inteiro.

O que persiste? Concentração de renda, desigualdade, falta de planejamento urbano e econômico, incipientes políticas sociais e habitacionais, questões ambientais ainda sem respostas, etc.

A que serviu ao povo essa gestão? A quem serviu? As questões são muitas.

Aqui as problemáticas urbanas são tratadas de forma simples: limpa tudo dos olhos dos turistas e dos ricos, tira dos olhos, esconde a favela e a pobreza e cria um cenário “para inglês ver”.

Dignidade humana, fortalecimento dos caminhos democráticos e planejamento participativo é obrigação e não migalhas. Numa cidade que recebe do entorno cada vez mais pessoas, os contratempos urbanos são crescentes e desafiadores.

Maceió carrega nas costas boa partes das riquezas de Alagoas, mas aos seus trabalhadores pouco sobra ou nada é dado. A miséria de um partido político é vista em sua incapacidade de renovar os métodos.

A alternativa é o silêncio e o distanciamento do povo, ao qual acredita que não deve nada, pois a posição de Rui é de poder legítimo pelo nome e não de poder concedido pelo voto popular. O povo está sob a sombra do herdeiro e sua incapacidade de se modernizar.

O cheiro do açúcar e da maquinaria antiga de esmagar humanos pobres, despossuídos, importantes apenas para o trabalho, débil em sua potência política fede na prefeitura de Maceió.

Os saltos e ternos blindam os poderosos da dureza dos cabelos crespos, das mãos ásperas e do cheiro do suor. As vias do moderno apenas triscam nos smartfones, carrões de luxo e propriedades particulares.

Ao povo, silêncio.

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