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A extrema direita está vencendo na internet. O que fazer?

Consideramos que o tempo está favorável para leituras atuais sobre movimentos da extrema direita no mundo e no Brasil, porque estas manobras afetam todas as formas de vida no planeta, inclusive a minha e a sua, além daquelas que ainda virão.

Vai ficando cada vez mais improvável amar sem entender de política, porque sem vida ninguém ama, e o objetivo destes movimentos sagazes é desfolhar os brotos para que o ressecamento social nos escravize em existências inúteis para os nossos espíritos, como servos anestesiados e impotentes de um modelo de sociedade ultratecnologizado, quanto excludente e cruel.

Como pontas de lança do mal, as big techs,  ou gigantes da tecnologia que dominam o mundo digital, aquele que não é paralelo, mas determinante de quase tudo que fazemos e vemos as nossas crianças e jovens fazerem no cotidiano.

As plataformas que privilegiam conteúdos de ódio e futilidades que geram engajamento não são frutos de uma opinião ou aposta, mas fazem parte de um projeto de mundo com pretensões cada vez mais destituídas de valores humanitários. Por esta razão, entre outras, uma parte do globo discute a regulamentação das redes sociais, inclusive o Brasil.

Contudo, o desafio mora no cerne das instituições com poder decisório. Características de classe e castas que despontam com proeminência nestes territórios, estão vinculadas aos propósitos da extrema direita, no Brasil e no mundo. O debate pode ganhar força nas ruas, na sociedade, nas redes. Mas, tem alguém aí sentindo essa marola?

Estaremos assistindo ao fim da integridade da informação, e do próprio jornalismo? O privilégio dos chamados “ecossistemas de desinformação” é inquestionável, e a nossa capacidade de confronto nas redes sociais e nas ruas, anda em qual nível?

Entre nós, como anda o diálogo? Balançando por likes? Pois a extrema direita está articulada com as big techs para nos infundir cada vez mais sentimentos de disputa e distanciamento, construindo ilhas discursivas para cativar públicos específicos dentro das pautas que nos impõem com manipulação comovida.

O comunitário soa distante. O coletivo dobra na esquina. Poucos perseguem essas referências quando todos são convencidos do quanto podem se tornarem celebridades vendendo algo na internet.

O empresariado do Vale do Silício não somente prospera economicamente, quanto aumenta o alcance de suas influências no contexto político mundial.

A camada rica e envolvida pelo processo formador extremista, fundamentalista, radical de direita, insiste em gerar a perspectiva de um mundo novo para os escolhidos, os ungidos, os abençoados pelo capitalismo ultraliberal economicamente falando, mas arcaico e ultraconservador na pauta de costumes.

As correntes aceleracionistas preveem a tecnologização de ponta como substituta das relações humanas, sociais, comunitárias, e lutam para mudar a sociedade na reversão dos parâmetros da modernidade histórica. As correntes teóricas de extrema direita são múltiplas, vão desde as mais tradicionais e truculentas àquelas de aparência aceitável, com discurso de desenvolvimento tecnológico  e mundo novo, mas contrários à democracia liberal, que abre espaços para avanços sociais e direitos políticos diversos.

A retirada de direitos que o mundo assiste, e o Brasil sente os efeitos, é fruto de um planejamento articulado nas bases político-partidárias, envolvendo judiciário e instituições  com perfil e alcance de massas. Neste ponto, entre os perdedores voltamos a figurar, pois de algum modo todos seremos afetados, inclusive aqueles e aquelas que não admitirem.

O projeto da extrema direita não é somente pautado em desamor, ele é contrário às  leis da vida  e da liberdade de sermos felizes e realizados enquanto seres humanos.

Combater este projeto é assumir o bom combate.

A internet é um território em disputa cotidiana. Quem dele participar, necessita letrar-se na dinâmica política de última hora.

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