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A execução do padre que mudou os rumos da emancipação de Alagoas

O fuzilamento do padre Roma, em 29 de março de 1817, é um episódio pouco comentado na história de Alagoas, mas fundamental na nossa emancipação política, em 16 de setembro de 1817, apenas meses depois do corpo do padre tombar ao chão no Campo da Pólvora, em Salvador, com um tiro de arcabuz. Ordens do governador da Bahia, Conde dos Arcos.

Roma percorria o Nordeste, levando informações sobre a Revolução Pernambucana, mais uma tentativa de emancipação política da Coroa portuguesa. Quando saiu de Maceió (provavelmente da praia de Pajuçara) montado em uma jangada, levava cartas endereçadas a maçons e apoiadores da revolta para serem entregues na Bahia.

O Conde dos Arcos soube da viagem cinematográfica do padre.

Dias depois, a jangada parou na praia de Itapoan ou Barra, em Salvador. As tropas do governador estavam prontas para agir. E a reação de Roma foi ainda mais incrível: ao perceber a armadilha, jogou as cartas ao mar. Preso, não delatou ninguém. Dias depois, em uma cerimônia macabra pelas ruas da capital baiana, o cortejo levou o padre para a morte. Foi executado.

A morte desarticulou os planos de independência.

200 depois, em 29 de março de 2017, Roma foi homenageado com um monumento, erguido em homenagem a ele, no Campo da Pólvora, mesmo local em que ele havia sido morto em Salvador.

Na inauguração estava um descendente do padre: João Roma, deputado federal e hoje ministro da Cidadania, João Roma.

Traição?

Quem delatou o padre? Foram os alagoanos? Fato é que, meses depois da execução de padre Roma, Alagoas foi emancipada, com autorização do rei de Portugal, D.João VI. Seria um prêmio pela traição aos ideias da Revolução Pernambucana?

No livro Alagoas, 200, o historiador Douglas Apratto discorda dessa posição: a traição como prêmio.

“A emancipação de Alagoas era uma reivindicação antiga e já era esperada desde que oram nomeados comandante das armas, ouvidor geral, mesa provincial e outros cargos de província autônoma Não vejo ninguém na Bahia, em Sergipe, na Paraíba, no Ceará dizer que houve traição ao Governo revolucionário de 1817. Todos apoiaram num primeiro momento e voltaram pressurosos ao colo do Governo do Rio de Janeiro após certo tempo e vitória dos governistas”, disse.

Fato interessante é que, nas antigas províncias, havia quem concordasse e discordasse da Revolução.

“O Ouvidor Batalha jamais apoiou a revolução e se opôs desde o primeiro momento ao Comandante das Armas que não era alagoano,que foi quem recebeu e apoiou o Padre Roma. Depois que o clérigo foi preso e fuzilado na Bahia, o militar que não era alagoano, repito, manifestou a sua lealdade a coroa, numa mudança deplorável. Quanto aos pernambucanos, uma reduzida minoria, como o historiador Pereira da Costa é que inconformados com a independência de sua parte sul, Alagoas, a mais rica de seu território destilaram essa idiotice e são macaqueados por alguns néscios locais. Esquecem que gente como Manoel Vieira Dantas, Ana Lins e muitos outros apoiaram destemidamente o movimento revolucionário, pagando com prisão, tortura e exílio por sua posição política”.

Os ecos da história continuam…

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