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A clandestina movimentação de escravizados em portos alagoanos

Enquanto cresciam os movimentos de abolição da escravatura, os traficantes de escravos enriqueciam ao driblar a proibição, claro com proteção de poderosos da época. Não foi diferente em Alagoas. A movimentação clandestina era registrada nos portos do Francês, Paripueira, Penedo e Barra Grande.

Havia também registros de desembarques nas enseadas de Roqueirão, Patacho, Quintas, Tabuba, Mearim.

O Governo Imperial não fazia tanta vista grossa assim. A lei Feijó foi editada em 7 de novembro de 1831, proibindo o tráfico de escravizados e tornando livres todos os importados após essa data. Era uma resposta à pressão da Inglaterra. Mas era, como ficou conhecida nesta época, uma lei “para inglês ver”, só valia no papel. Somente em 4 de setembro de 1850, com a lei Eusébio de Queirós a proibição valeu, mas nem tanto porque tanto as duas legislações tinham algo em comum: poderosos interesses para que não funcionassem e lucros gigantescos aos traficantes de escravizados.

Havia muitas denúncias, mas segundo registra o professor Douglas Apratto no livro A Presença Negra em Alagoas, era como se hoje qualquer pessoa denunciasse casos de corrupção envolvendo autoridades e nada acontecesse.

A mando do imperador foram criados postos militares ao longo do litoral alagoano para frear o tráfico de escravizados: Barra de Coruripe, Francês, Peba, Poxim, Gamela e Ipioca. O tráfico internacional caiu mas aumentou o doméstico. Muitos escravizados saíam de Alagoas e eram levados para as plantações de café no Sudeste.

A abolição só aconteceu muitos anos depois, em 13 de maio de 1888.

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