Apesar da negligência do governo estadual com a educação, literalmente em escombros (referência ao teto caído da escola de Campo Alegre), o foco da nossa análise é a reação da população.
Quando a população reagiu ao aniversário da queda do teto da escola, com faixas, banda de música, em um protesto cômico, embora muito sério, mostrou para todos os alagoanos que os discursos governamentais não merecem confiança.
Deixando os alunos em situação precária ao longo de 12 meses, o governo revelou que não teme possíveis reações populares. Caso contrário, teria sido mais eficaz na reforma, já que conseguiu um “pacote” emergencial para tal fim.
O que está na base da indiferença governamental em Alagoas?
A certeza da vitória sobre a fraqueza dos clamores da sociedade; bastante justificada, inclusive, pelo reinado do silenciamento, deixando à mostra a falácia de setores da sociedade civil organizada, movimentos de classe e órgãos colegiados.
Há uma carência de mobilização popular em Alagoas, e as consequências são sentidas através da opressão de uma gestão monolítica, empenhada em calar a imprensa, gastando com publicidade dinheiro público que poderia ser investido em situações de alívio social.
Secretários recheando a gestão com retóricas, caracterizam o por vir, ou seja, todas as melhorias estão a caminho. Acontecerão amanhã, depois de amanhã… Até que a temática mude, para elaborarem novas promessas.
Os intelectuais não reagem, nada escrevem sobre a opressão presente em seu lócus imediato de atuação e exibição de cultura e letramento.
As associações de moradores, de bairros, de pais e mães, não se mobilizam em benefício da coletividade.
Os sindicatos cultivam o hábito de só falar em aumento salarial uma vez por ano, se não concordarem com as propostas dos governos. Além disso, nada mais existe em suas pautas.
Os diversos Conselhos, não conseguem justificar publicamente a razão de existirem. Exemplos: Conselhos de Saúde, Educação, Merenda, Segurança…
Com os Partidos políticos o povo já aprendeu a não contar para nada, servem apenas para legitimar candidaturas e eleições. Não oferecem retorno societário algum. São espécies de guetos.
Grupos alternativos, optam descaradamente por ignorar as lacunas deixadas pelo Estado, gerando as misérias que tentam minimizar.
Ministério Público alagoano espera o tempo histórico diluir as representações que abriga. No fim, todo mundo é compadre!
Resumo da ópera: não há outro evento, senão, os interesses da coletividade amontoados, feito escombros inservíveis, a perturbar levemente o cenário de perfeição pintado pelas artimanhas políticas locais.
Todos os indivíduos estratégicos serão convidados a participar de novos batizados políticos. Padrinhos, afilhados e compadres, juntos, não tem povo que consiga sequer levantar a voz, imagine vencer!
História lastimável. A dor é real demais para não correr o risco de escrever novos enredos.





