Em 14 de outubro de 1859, o imperador Dom Pedro II veio a Alagoas. Naquela época, havia uma praga de sífilis.
Outra praga- a mais antiga da humanidade- arqueava a atenção do monarca: a miséria. E, do outro lado do fosso social, a elite, sedenta de títulos honoríficos, que eram comprados.
Foi assim no passado. Não diferente do presente.
Entrevista da diretora do Hospital Geral, Verônica Omena, ao TNH1. Lá pelas tantas, um rato, conforme anota o editor Gilson Monteiro, surpreende pelo chão. Ela justifica ser dia de dedetização. Seria a fuga dos roedores.
O HGE é o maior hospital público de Alagoas. Deveria atender apenas urgência e emergência. Quis a lógica o ilógico: recebe casos clínicos, que encontrariam solução em postos de saúde ou hospitais funcionando no interior.
Porém, existe a praga da miséria. O HGE é o hospital dos pobres. E os miseráveis em Alagoas incluem-se na lógica factível: brotam do imaginário político de dois em dois anos, em nome do voto.
Ao chegar a Piranhas, dom Pedro encontrou um médico inglês cercado por leitos do hospital da cidade abarrotado de doentes. Miseráveis. Fez uma doação financeira ao lugar. E seguiu.
O governador Renan Filho (PMDB) visitou o HGE em 26 de maio de 2015. Passou três horas. Determinou a liberação de medicamentos que faltavam na farmácia do hospital. E eles chegaram.
Cumprido o ritual de qualquer governante, foi-se adiante.
Daí quis o agosto que o rato escondido sacudisse o rabo pelos porões do HGE.
Renan Filho é criterioso. Ligará, ele mesmo, para a direção. Vai perguntar e ouvir.
Até, de novo, virar a esquina. Hoje viu o rato; amanhã será o gato?





