De olho nos milhares de eleitores que o ex-vereador e delegado expulso da Polícia Civil, cabo Luiz Pedro da Silva, carrega, o presidente da Câmara, Kelman Vieira (PMDB) iniciou a “Operação Limpeza” para ajudar o ex-legislador mirim no julgamento em que Luiz Pedro é acusado de liderar um grupo de extermínio na parte alta de Maceió.
Luiz Pedro deve ser julgado no próximo mês de agosto pelo assassinato de Carlos Alberto Rocha dos Santos. Mas, seu currículo criminal põe no chinelo qualquer um dos presos no Baldomero Cavalcante. O blog fez uma lista de alguns.
Mesmo assim, o presidente da Câmara subscreveu a homenagem a Luiz Pedro, no estilo que é velho conhecido na política. Não existe almoço grátis. E Kelman- assim como o plenário da Casa de Mário Guimarães- busca a reeleição. O presidente tenta ser vice-prefeito. E espera o retorno nas urnas em 2016.
Na última sexta-feira, ele concedeu o título de cidadão benemérito a Luiz Pedro, conforme descobriu o repórter Thiago Correia, da TV Pajuçara.
Ele, que é delegado da Polícia Civil (instituição que expulsou Luiz Pedro de seus quadros), disse:
“A questão criminal não compete a nós analisarmos. Não só eu como toda a Casa concedeu [o título] porque eu não estou na função de delegado, estou na função de vereador, presidente da Casa. E a gente analisa o que rege o regimento”, disse o presidente.
A julgar pelas declarações, Kelman Vieira poderia movimentar as sonolentas sessões da Câmara distribuindo títulos de cidadão benemérito aos integrantes da Gangue Fardada.
Ou ainda ao policial dedo-duro, pajem do deputado estadual, na Operação Taturana.
Seria pavoroso, mas lógico: ao abrir espaço a Luiz Pedro e suas obras que fabricam pobres e os mantêm na mesma condição para que eles virem votos, Kelman Vieira pode ajudar outros tantos grupos de pistolagem, espalhados em Maceió, e contar com eles na busca das urnas.
Seria uma união interessante: a do lixo com o luxo da Câmara. Em tempos de degradação ético-moral.


