
O clima era de festa: fogos de artifício, palco, lideranças políticas, promotores, delegados. Tudo para receber um desconhecido: o secretário de Infraestrutura, Mozart Amaral, um engenheiro da Casal há anos ligado ao líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros. Hoje, nome da sucessão municipal apoiado pelo prefeito Cícero Almeida (PP)- que não teve força política para indicar o sucessor politico.
O palanque com cara de inauguração, mas com intenção eleitoral, foi montado na avenida Márcio Canuto- via ligando os bairros do Barro Duro e Farol. Almeida puxou o forró. Renan Calheiros aplaudiu.
“Mozart? Quem é Mozart?”, perguntou a representante de vendas Cláudia Sueli, acompanhando o lançamento da campanha, regada à dinheiro público. “Voto nele, se o prefeito indicar”.
E não só Almeida indicou. A “força” do pemedebista que nunca disputou uma eleição pode ser sentida pelo prestígio dos vereadores: o presidente da Câmara, Galba Novaes- que se diz candidato a prefeito; e mais oito: Théo Fortes, Netinho Barros, Oscar de Melo, Davi Davino, Chico Holanda, Eduardo Canuto, Sílvio Camelo, Marcelo Malta.
Deputados: Dudu Holanda (estadual) e Maurício Quintela (federal).
Mas, o nome de Mozart está longe, muito longe de ser uma unanimidade no chapão-dos senadores Fernando Collor (PTB) e Renan.
Chamado, Collor nem apareceu nem mandou representante. Mesmo a festa sendo em homenagem ao jornalista da TV Gazeta, Márcio Canuto; o deputado federal João Lyra (PSD), chamado para a festança, não mostrou o rosto. Permanece escondido do grande público. Um clima de divisão que ficou evidente na sexta-feira, 16. Que poderia ser 13, para o chapão.
Sem os traquejos de Ciço, na hora do discurso, Mozart Amaral repetia que Maceió “não deveria ser maltratada”. De ar populista, Almeida invocava Deus no palco.

“Mozart é um nome natural. Faz parte do jogo democrático”, disse o presidente estadual do PSDB, Claudionor Araújo.
E ele é melhor que o candidato do PSDB, o deputado federal Rui Palmeira? “Aí não. O Rui foi testado nas urnas. Foi eleito deputado estadual, depois foi a federal, o mais votado de Maceió. Tem serenidade, tem postura. Está preparado para mais este desafio das urnas. O Rui é o melhor nome na disputa”, disse Araújo.
O deputado estadual Jeferson Morais (DEM) vê em Mozart um adversário técnico de peso. “Ele tem expressão política sim, basta ver os apoios que ele tem. É filiado ao PMDB, partido de maior representatividade nacional. E tem o apoio do prefeito Cicero Almeida. Desconheço algum político na história de Alagoas que tenha um crescimento político tão rápido como o prefeito”, afirma o parlamentar.
PT no palanque
No palanque de Mozart, estava o PT, mas um pedaço do partido: o secretário municipal de Educação, Thomáz Beltrão; o presidente estadual, Joaquim Brito. O deputado Judson Cabral não apareceu. Ele é candidato a prefeitura da capital.
“O PT estava no palanque para cumprir um ‘dever de ofício’. Sou pré-candidato do partido, mas ser vice não está nas minhas pretensões”, disse Cabral- ao falar sobre a possibilidade de apoiar o secretário de Infraestrutura nesta condição. “O Mozart tem potencial. É tratado como primeiro-ministro de Almeida”, disse Cabral.








