O crepúsculo de um Império

César Oliveira*

Tímido e de poucos amigos, com um tipo físico – media 1.5mm – e sempre afirmando que a altura de um homem não se media da cabeça aos pés, mas da cabeça ao céu, assim se formou o maior líder estrategista militar da Europa pós Revolução Francesa, Napoleão Bonaparte, o General Francês, com ambição de César. Notabilizou-se por suas conquistas militares, e na política, aniquilava seus opositores utilizando-se de uma severa censura à imprensa e da ação violenta dos órgãos policiais. As conquistas da Revolução francesa (1789), “Liberdade, Igualdade e Fraternidade“, foram reprimidas e suas conquistas externas, justificava, asseverando estar libertando os povos dos “ Grilhões “ do Antigo Regime.

Orador impecável, líder austero e agregador, Napoleão Bonaparte, como Alexandre o Grande da Macedônia, utilizava-se de sua oratória e da retórica para maximizar suas campanhas militares afirmando que, “quem morre por uma causa, morre por um ideal”. O Corso Napoleão Bonaparte causou admiração até ao compositor Ludwig Van Beethoven, que pensou em dedicar-lhe sua famosa “TERCEIRA SIMONIA”, conhecida como heroica, porém, ao saber que Napoleão se autoproclamara imperador, rasgou a antiga dedicatória e a substituiu por uma simples referência,” A MEMORIA DE UM GRANDE HOMEM”.

Obcecado por uma Europa unificada sob o comando da França, Bonaparte pode ser considerado a célula que germinaria no que é hoje a União Europeia (UE). Considerava a Inglaterra um obstáculo aos seus interesses e dizia que sua vitória sobre os Ingleses seria uma questão de tempo, pois o comandante das tropas inimigas aliadas (Grã- Bretanha, Áustria e Prússia), o General Lorde Wellington, era um velho cansado. Qual o grande erro de Bonaparte? A arrogância e o desprezo ao inimigo, E qual foi o resultado? Sua derrota definitiva no dia 18 de junho de 1815, na famosa BATALHA DE WATERLOO. Com sua capitulação, termina a saga do mito imperador Bonaparte que se entrega aos ingleses e por estes deportados para Santa Helena, uma pequena ilha no Atlântico Sul, “para lá da África”, como dizia seus carcereiros.

Ali, sozinho como um mortal e suas reflexões, dirá: “O infortúnio também encerra glória e heroísmo. Se tivesse morrido no trono, com a auréola da omnipotência, a minha História ficaria incompleta para muita gente. Hoje, mercê da desgraça, posso ser julgado por aquilo que realmente sou.” No dia 5 de Março de 1821, quando uma violenta tempestade assola a ilha de Santa Helena, morre o omnipotente, omnisciente e o omnipresente General/Imperador francês Napoleão Bonaparte. Ele não nasceu do nada. Começou como oficial subalterno do novo exército de massas compreendeu suas possibilidades, treinou e fez carreira dentro dessa organização, até que ela o colocou à cabeça do Estado. A História tornou-o possível; depois o deixou sem saída?

César Oliveira: Professor, historiador e acadêmico de direito.

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