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Políticas de Estado para familiares de vítimas

Em alguns momentos foi necessário segurar a respiração, para garantir a vida!

Parece paradoxal, mas assim é que as coisas acontecem em nossa província das Alagoas, um imenso paradoxo pintado com o verniz da normalidade induzida.

Contudo, sempre é preciso respirar.

Renovar o ar, as crenças, as ideias e a mentalidade. Embora o risco de pensar seja deveras mortal.

Volto a ser a mãe jamais enquadrada no esquema, a mulher de percepção simples, a cidadã que atua a partir do chão que lhe segura os pés, a acadêmica que preza por continuar humana.

Sei de quais fontes o apoio não virá, assim como conheço aquelas cristalinas nas quais ainda é possível abrandar a sede…a sede por justiça que me consome e impulsiona.

Calar diante das construções sinistras que investem nas afirmativas da morte, é de algum modo, pactuar com a dor que dilacera almas e enverga corpos.

O lugar do assassinado foi construído socialmente. É socialmente que ele pode ser desconstruído. Nada sobra à vítima e aos seus familiares, senão o pesar e a enfermidade. Até quando?

Quem pensa no pais sem filhos e nos filhos sem pais?

Algum clamor da sociedade civil endossa o grito por justiça, nesta terra servil?

Uma fileira de adaptados comunga as verdades do sistema. Outros tantos morrem aleatoriamente, afirmando o crime de ter nascido para contrariar.

Justiça ainda é incompatível com nosso nível de evolução social e política?

Precisamos de vida justa, sem desistir da luta nem permitir que o bem vire utopia.

O império do descrédito gera muita renda, aos astutos dos poderes.

Sociedade que insiste em ser cidadã gera créditos de desenvolvimento e permite a concretude dos direitos das pessoas, em patamar legítimo.

Sair da posição de vítima não me tira a capacidade de considerar que as vítimas e seus familiares precisam ter discursos voltados às suas causas, pois as perdas decorrentes da violência constituem novas formas de violência que afetam os indivíduos até o fim da vida…muitas abreviadas pelo sofrimento.

Portanto, vítimas de violência e seus familiares são causas sociais que merecem debate e políticas de Estado.

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