Presidente do Paraguai diz que vai combater pobreza

Diário do Nordeste

O novo presidente do Paraguai, Horacio Cartes, de 57 anos, tomou posse ontem prometendo combater a pobreza. No discurso, o empresário que estreia na vida política agradeceu a presença da presidente do Brasil, Dilma Rousseff e da Argentina, Cristina Kirchner. Mas ao mencionar os nomes de ambas, Cartes foi vaiado por simpatizantes do Partido Colorado, que condenam a suspensão do Paraguai dos blocos regionais.

Amanda Ruiz Díaz, de 22 anos, disse que o Brasil, a Argentina e o Uruguai ´violaram a soberania do Paraguai´ ao adotar a punição da suspensão do país tanto do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). “Foram motivações ideológicas mais do que políticas”, disse a ativista. Cartes, que cumpre mandato até 2018, evitou comentar diretamente a suspensão do Paraguai, concluída ontem, em ambos os blocos. O presidente optou, no seu juramento, citar os desafios que quer enfrentar no governo.

Segundo ele, a prioridade é combater a pobreza. Também negou interesse em fazer carreira política. “Não estou na política para cuidar de uma carreira nem enriquecer um patrimônio, mas para melhorar o futuro das novas gerações”, disse Cartes.

Em relação à polêmica que envolve os brasiguaios – brasileiros que vivem e produzem em terras paraguaias e que entram em conflitos com os locais -, o presidente avisou que não “vai deixar o governo à mercê de grupos criminosos e armados”.

Cartes disse ainda que “invocava” a Deus para ter “sabedoria, força e espírito de justiça” na condução do novo governo. “Se em cinco anos, ao concluir o mandato, não tivermos conseguido reduzir substancialmente a pobreza (que atinge 40% da população do Paraguai) serão estéreis todas as obras. Por isso, reitero que nossa obsessão é ganhar cada batalha na guerra que hoje declaramos à pobreza”, disse o presidente. Os presidentes do Chile, Peru, Uruguai e de Taiwan também acompanharam a cerimônia.

Mercosul

Sem citar diretamente o Mercosul, Cartes, disse “apostar no fortalecimento dos organismos subregionais, regionais e mundiais” e destacou a importância de “não agravar as diferenças conjunturais”.

Ele ainda manifestou “franca disposição de manter e acrescentar as cordiais e fecundas relações bilaterais”. “Aspiramos as mais frutíferas relações com os países vizinhos e com todos os Estados que com os quais mantemos relações diplomáticas”, afirmou, numa referência à Venezuela, que mantém cortadas as relações diplomáticas com o país depois do “impeachment-relâmpago” de Fernando Lugo.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, parabenizou Cartes, mesmo sem ter sido convidado para sua posse, e expressou seu desejo de um retorno imediato do país ao Mercosul. Disse que, na presidência temporária do Mercosul, fará tudo o que estiver ao seu alcance para o “retorno em breve do Paraguai como membro pleno.

.