Educar para melhor empreender

Luiz Barreto- Correio Braziliense

A geração de emprego e renda no Brasil é estimulada por um conjunto variado de fatores, mas um dos mais importantes, sem dúvida, refere-se à ampliação e à qualificação dos empreendedores no Brasil. O conhecimento tem se revelado o grande diferencial para quem busca melhores oportunidades de vida. Dessa forma, ações de educação empreendedora merecem destaque nas estratégias de desenvolvimento de qualquer país — especialmente no nosso, em que o empreendedorismo representa fenômeno de inclusão e de ascensão social.

Uma realidade econômica competitiva como a atual, em que os contextos regional e mundial se interligam e se influenciam mutuamente com a globalização, exige muito mais do que boas ideias para que qualquer projeto prospere. Um bom empreendedor associa ousadia e inovação à capacitação e ao planejamento. E não falo apenas daquele que está à frente de uma empresa, mas também do cidadão que atua de forma inovadora no trabalho e na comunidade. A atitude empreendedora faz a diferença em qualquer ambiente.

Há quem pense que o empreendedor já nasce pronto, como se o sucesso dependesse apenas de talento nato. Não é verdade, a competência pode ser desenvolvida. O fomento ao empreendedorismo representa a base da atuação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) desde sua criação, há mais de 40 anos. Para multiplicar os empreendedores no Brasil, atuamos em diversas frentes. Temos parcerias estratégicas com instituições como Senai, Junior Achievement e Endeavor. O Sebrae também vem discutindo com o Ministério da Educação a inserção do empreendedorismo no ensino técnico. E agora, com a criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa no governo federal, temos mais motivos para somar esforços em torno de projetos que impulsionem a atividade empreendedora.

Incentivar o empreendedorismo é estimular o desenvolvimento. Os países de economia mais sólida possuem parcela expressiva de empreendedores. No Brasil, abrir um negócio próprio já foi o caminho mais buscado por quem precisava de fonte de renda emergencial. Atualmente, sete em cada 10 pessoas abrem uma empresa porque identificaram oportunidade de mercado — em especial no momento em que mais de 40 milhões de pessoas ingressaram na nova classe média e ampliaram o poder do consumo.

Mais da metade dos empreendedores brasileiros já possui ensino médio — nível de escolaridade mais alto do que a média da população do país. Trata-se de bom sinal, pois, quanto maior a escolaridade, maior a qualificação e também as chances de êxito nos negócios. Mas também é preciso ter continuidade na educação, não se acomodar com o conhecimento já adquirido. Ao contrário, um empreendedor que se comporta como aluno, sempre disposto a aprender, certamente amplia a longevidade da empresa.

A participação em projetos de educação empreendedora é essencial para quem já está no mercado. Prova disso são os resultados do Empretec, uma metodologia desenvolvida pela ONU para o desenvolvimento de competências empreendedoras e ministrada há 20 anos no Brasil com exclusividade pelo Sebrae. Levantamento feito com participantes do seminário mostrou que a imensa maioria registrou aumento dos lucros, após a conclusão da formação, devido à implantação de mudanças em seus produtos e serviços.

Os estudantes são público-alvo estratégico: até hoje, cerca de 2 milhões de pessoas já passaram por cursos de formação de empreendedores promovidos pelo Sebrae. Desses, 600 mil são alunos do ensino fundamental, médio e superior que cursaram empreendedorismo na escola, em projetos do Sebrae. Outro 1,1 milhão de estudantes participaram do Desafio Sebrae, que, por meio de simulador via internet, oferece experiência prática do dia a dia de uma empresa a universitários do Brasil e de oito países da América Latina.

Recentemente nacionalizamos experiência concebida pelo Sebrae em São Paulo, o projeto Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP). O foco é o ensino fundamental, que reúne alunos de 6 a 14 anos, em escolas públicas e privadas. Por meio de oficinas lúdicas, as crianças aprendem noções sobre planos de negócio, como a importância de controlar o dinheiro. Essa conscientização, ainda na infância, vai ajudar, no futuro, a valorizar práticas como o controle de fluxo de caixa.

Voltados ao ensino médio, temos programas como o Crescendo e Aprendendo, Despertar e Formação Jovens Empreendedores, que buscam estimular a visão empreendedora como uma das estratégias para a inclusão social e acesso ao mercado no trabalho. No ensino superior, contamos com a parceria de 19 instituições de ensino superior para pesquisas e difusão do empreendedorismo.

A educação empreendedora deve seguir como instrumento estratégico de desenvolvimento e inclusão. Conhecimento não é bom apenas para quem o adquire: quanto maiores a escolaridade e a qualificação, maior a perspectiva de empreendimentos de qualidade, o que beneficia a sociedade como um todo. O caminho para que nosso país se torne cada vez mais justo e competitivo passa, necessariamente, pela valorização crescente da educação e da capacitação dos brasileiros.

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