Cirurgia bariátrica para jovens é bem recebida pelos médicos

Jornal do Brasil

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Com a regulamentação do Ministério da Saúde, que passou a permitir em março a cirurgia bariátrica, de redução de estômago, para jovens a partir dos 16 anos, especialistas acreditam que os adolescentes obesos mórbidos terão uma vida de fato mais saudável e livre de doenças futuras relacionadas à obesidade. Por outro lado, os médicos acreditam que os hospitais não conseguirão suprir o aumento da demanda.

Jovens brasileiros com problema de obesidade mórbida têm crescido gradativamente. De acordo com Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE de 2009, 21,7% dos brasileiros entre 10 e 19 anos apresentavam excesso de peso. Em 1970, esse percentual era de 3,7%.

Um dos exemplos mais claros do aumento de pacientes com pretensão de se submeter à operação bariátrica, entre 16 e 18 anos, é o Programa de Cirurgia Bariátrica do Hospital Estadual Carlos Chagas. Através do SUS, em menos de um mês da regulamentação do Ministério da Saúde a procura dobrou: passou de 3% para 6% o total de cadastrados.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Almino Cardoso Ramos, a indicação de operação bariátrica para adolescentes é o último recurso de emagrecimento.
“São casos de exceção quando o adolescente, na faixa de 150 Kg a 160 Kg, já passou por todas as alternativas clínicas, como endocrinologia, nutricionista, psicólogo, e não obteve êxito. Ou seja, em casos graves que podem gerar outras doenças relativas à obesidade como diabetes e apneia do sono”, explica Ramos, que ressalta: “a diminuição da idade foi baseada em estudos científicos de forte credibilidade, o que também ocorreu em outros países. Não há problemas, desde que fique clara a exceção”.

Demanda

O aumento da demanda já é uma realidade. Segundo Ramos, a tendência é piorar. No entanto, o presidente da SBCBM é otimista.

“Por outro lado, a mesma portaria do Ministério da Saúde que viabiliza a operação bariátrica para menores aumenta o reembolso para os hospitais pela cirurgia bariátrica. Muitos cirurgiões também já entraram em contato com a sociedade (SBCBM) para saber como substituir o serviço publico, ou seja, despertou maior interesse geral e tenho certeza que o número vai aumentar de modo significativo”, ressalta Ramos.

Já na opinião de Antonio Augusto Peixoto, do Programa de Cirurgia Bariátrica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, que pertence à UFRJ, a operação de redução do estômago no Rio, via SUS, é “calamitosa”.

“O Hospital Estadual Carlos Chagas consegue grandes financiamentos para resolver os problemas da cirurgia bariátrica e acaba realizando operações em alta escala que outros hospitais federais, estaduais, municipais e universitários jamais conseguem realizar. O Hospital de Ipanema, por exemplo, na melhor das hipóteses, realiza uma por semana”, afirma Peixoto.

Embora concorde com a ideia, Peixoto acha a regulamentação da cirurgia bariátrica para menores de idade uma “balela” do governo: “Não conseguem operar nem os adultos, como vão operar crianças? Existem no estado do Rio aproximadamente 30 mil obesos mórbidos com indicação para a cirurgia. Exceto o Carlos Chagas, os hospitais não conseguem operar nem 100 pacientes por ano e maior parte desses morre na fila esperando a cirurgia”.

Segundo Marco Antonio Marques Leite, membro do grupo de trabalho sobre cirurgia bariátrica e metabólica do Cremerj, “falta entendimento por parte do Ministério da Saúde de reconhecer que a obesidade é uma pandemia em evolução”. Ele afirma que não existe medida séria que abranja a população: “O que há são fatos pontuais, aqui e ali”, aponta.

Riscos

Segundo Marco Antonio Marques Leite, membro do grupo de trabalho sobre cirurgia bariátrica e metabólica do Cremerj, é extremamente importante o adolescente ter capacidade de entender o procedimento a que será submetido para não correr riscos.

“Na maioria das vezes, observa-se que os adolescentes já são bastante instruídos em relação ao problema. Em relação à pouca idade, o risco inerente à operação em si é o mesmo que de um adulto. Mas a maior garantia de sucesso é o pré operatório e a cirurgia ser feita por um grupo de médicos compromissados com o problema no âmbito geral. O que se tem a oferecer para um adolescente gordinho é a operação mesmo”, ressalta Leite.

De acordo com o presidente da SBCBM, Almino Martins, atualmente o risco de haver complicação séria, que traga risco de vida ao paciente está “em torno de 0,2%”.

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