Sanguinetti: Exumações são ‘improvisações medíocres’

George Sanguinetti – Médico Legista

Exumações em Maceió, Alagoas.Uma improvisação medíocre que não deve merecer aceitação cientifíca. Mais um exemplo negativo para o esclarecimento de mortes violentas.

Esta é a terra dos Professores Estácio de Lima, José Lages Filho, Maria Tereza Pacheco, Luiz Duda Calado, que como Titulares de Medicina Legal, aqui e na Bahia, ministraram aulas para gerações; hoje, médicos, advogados, juízes, desembargadores receberam ensinamentos destes Mestres. Tive a honra, de sucedê-los no ensino de Medicina Legal na Faculdade de Medicina e Faculdade de Direito, na Universidade Federal de Alagoas. Tomo conhecimento, que por trás do IML, cujo nome completo é Instituto Médico-legal Estácio de Lima, realizam-se quase duzentas necrópsias pós-exumação. As mortes ocorreram há meses; foram sepultados sem o obrigatório exame cadavérico( necroscópico); e todas mortes violentas.

Não ocorreu em Maceió, graças a Deus, tsunami,terremoto ou catástrofe que justificasse a falta do procedimento legal, dever do Estado, exigência do Código Penal e do Código de Processo Penal. A greve dos legistas, da qual não discuto o mérito, impediu o esclarecimento de etiologias jurídicas de morte, que a esta altura, vestígios, indícios, trajetórias, envenenamentos, já não serão percebidos, neste trabalho de esforço, mas medíocre, onde o dirigente já declarou falta de legistas, condições, etc.

Aos advogados de Defesa, nenhuma imputação feita a acusado baseada no resultado deste ” festivall “, deste “mutirão ” necroscópico, irá prosperar no Judiciário. As seguradoras, nos casos de mortes por acidentes de trânsito, que decorridos meses, não possuem comprovação do que ocorreu, poderá agir judicialmente, não pagar, protelar indefinidamente.

Se Alagoas é destaque nacional em homicídios, em impunidade, é porque autoridades que poderiam evitar o absurdo da inumação (sepultamento ) de mortes violentas, sem o essencial exame cadavérico se omitiram. Um velho professor de Medicina Legal, lamenta o investimento no não esclarecimento de crimes, na exposição a nível nacional.

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