Se faltava alguma coisa a Chipre para igualar a sua crise à dos países do sul da Europa, eram suspeitas de corrupção sobre os políticos. Passado o pico de instabilidade, nos últimos dias têm começado a ser relatadas várias situações deste gênero pela imprensa local e internacional.
Este domingo as armas voltaram-se para o presidente Nicos Anastasiadis. Segundo o diário cipriota Haravgi, vários dos seus familiares poderão estar implicados num escândalo bancário que envolve a utilização de informação privilegiada sobre o futuro do país nos dias que antecederam ao fecho dos bancos.
Uma empresa cipriota cujo proprietário é familiar do presidente transferiu 21 milhões de euros do Banco Popular (Laiki) para duas entidades em Londres. A transferência foi efectuada três dias antes da primeira reunião de Eurogrupo, que iria decidir aplicar uma taxa sobre todos os depósitos. Se a empresa tivesse atrasado esta transferência por algumas horas, os seus fundos, superiores a 100 mil euros, teriam sido congelados e, com o fecho dos bancos e posteriores decisões de controlo, os seus proprietários não voltariam a ver 17 dos 21 milhões – já que se espera que as perdas do Laiki possam atingir 80% do total de depósitos superiores a 100 mil euros.
O diário cipriota, que teve acesso ao extrato das operações, questiona a autoridade do presidente, mas Anastasiadis já reagiu e não gostou das suposições do jornal: “A intenção de difamar empresas ou pessoas ligadas à minha família e o objetivo de manchar a imagem do presidente é uma tentativa de desorientar o povo relativamente às responsabilidades de quem levou o país à falência”, afirmou ontem o líder cipriota, citado pelo El Mundo.
Nicos Anastasiadis já pediu a abertura de um inquérito que permita perceber o que acontecer no Banco de Chipre e Banco Laiki. Até porque dados do Banco Central do país mostram que até 18% dos depósitos pertencentes a cidadãos do euro retiraram dinheiro dos bancos da ilha no mês de fevereiro. Mais, os bancos foram encerrados mas ainda assim saíram cerca de 830 milhões de euros da ilha. O mesmo não aconteceu com as contas dos russos, que segundo a instituição, cresceram 1% no segundo mês do ano.
Na semana passada surgiu um outro escândalo no país por perdão de empréstimos bancários a políticos, empresários e sindicatos. Segundo o diário grego Ethnos, estes perdões aconteceram nos bancos BdC, Laiki e Hellenic e envolvem vários deputados de todos os partidos e antigos ministros cipriotas. O jornal grego revela que, por exemplo, um ex-ministro do partido centrista DIKO viu perdoados 1,3 milhões de euros de uma dívida contraída de 1,6 milhões. Já a Federação dos Trabalhadores de Chipre, terá conseguido livrar-se de 193 mil euros de um empréstimo e um ex-ministro do partido de Anastasiadis (DISY) conseguiu contornar o pagamento de 400 mil euros de um dívida contraída com o Banco de Chipre.
As informações são do Dinheiro Vivo








