
Desde ontem as famílias brasileiras estão em movimento diferenciado, participando com seus filhos da ida às provas do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, ou mesmo deixando os filhos em casa, para ir fazer as provas.
Esse é o caso de três mães com as quais conversei minutos antes de fecharem os portões para a segunda etapa das provas, neste domingo, 04 de novembro.
Maria Lúcia Bezerra da Silva, de 40 anos, desde ontem acompanha o filho de 17, que ainda não tem certeza sobre o curso que realmente deseja fazer.
“Meu filho ainda não sabe o que quer. Uma hora quer ser engenheiro, em outra quer fazer Direito. Para mim, o que ele escolher está bom.”
Achando que o ENEM torna o acesso ao curso superior mais fácil, Lúcia disse que o filho mais velho não fez o exame. Já faz Direito em uma faculdade particular de Maceió.
O mais novo, no entanto, quis fazer. E ressalta o sacrifício que tem feito para transmitir-lhe confiança:
” Ontem ele pediu que esperasse. Fiquei aqui quase três horas, sem ter um banheiro para fazer as necessidades fisiológicas. Hoje vou ficar novamente, para dá força e confiança a ele.”
Cícera Paulino da Silva, de 48 anos, também acompanhou a filha de 18.
“Minha filha completou 18 anos ontem, se passar é um presente!
Ela deseja fazer Engenharia Química. Ela está preparada, porque a cada dia vai se preparando, mas a escola onde estudou, que é pública, não deu muito apoio. Se ela não passar, a minha família já decidiu que vai pagar um cursinho.”
Deize Lopes da Silva, de 30 anos, deixou os filhos em casa para fazer as provas.
“Já sou da Saúde, técnica em enfermagem. Quero fazer curso superior em Enfermagem.”
Mas critica: ” Os textos são muito grandes. 90 questões é coisa demais para o tempo. Não seria necessário dificultar tanto para uma pessoa conseguir fazer universidade.”
No entanto, arremata com a frase: ” Se entrar no curso minha vida inteira muda, pessoal e profissional. Minha vida mudando, a dos meus familiares mudam também. Em nome de Jesus!”
Diante desse quadro, como admitir que Educação seja tratada sem seriedade e compromisso societário, como ocorre em nosso estado e capital?
Como coadunar com a omissão dos poderes que tornam as famílias de trabalhores e trabalhadoras despossuídas do acesso à qualidade educacional?
Como continuamos elegendo e reelegendo políticos que tratam esse direito com descaso absoluto, permitindo a queda do IDEB e dos tetos escolares, ao mesmo tempo?
Se ninguém perguntar, como buscaremos respostas?
Às famílias alagoanas e maceioenses, nossos melhores augúrios, na compreensão de que lutam contra o visível e o invisibilizado, numa história de corrupção, traições e impunidades sócio-históricas.








