Obras desaceleradas

Por que a presidente deve priorizar obras do Nordeste que podem ajudar a melhorar o perfil da região?

A visita empreendida, ontem, pela presidente Dilma Rousseff, ao Nordeste, traduz as novas diretrizes fixadas pelo governo federal para a execução das obras, projetos ou quaisquer outros empreendimentos governamentais. A transparência deverá ser a marca essencial de todos eles.

Daí a disposição da governante em conhecer, de perto, os embaraços constantes no monitoramento dos investimentos prioritários do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC II). A Ferrovia Transnordestina e o projeto de Transposição das Águas do Rio São Francisco para as bacias hídricas dos principais rios do Nordeste, tornando-os perenes, são os principais óbices.

A comitiva governamental começou pelo interior de Pernambuco a série de visitas a canteiros de obras, no curso das quais ouviu exposições sobre o andamento dos projetos. O da transposição das águas é o de maior complexidade. Ele prevê a construção de mais de 600 quilômetros de canais de concreto, interligando dois eixos de distribuição das águas para Pernambuco, Paraíba e Ceará.

Parte das empreiteiras vencedoras das licitações públicas de seus trechos abandonou os canteiros de obras. Outra parte, por não aceitar as regras do jogo estabelecidas pela legislação, foi substituída pelos Batalhões de Engenharia e Construção do Exército. O resultado vem apresentando elevado índice de produtividade e de qualidade nas obras.

Obra avaliada em R$ 6,85 bilhões, a transposição, ao perenizar os rios, garantirá o suprimento de água potável a 390 municípios do Polígono das Secas, beneficiando 28% da população brasileira. Dividida em dois eixos – o leste e o norte – sua construção iniciada em 2007 tem ritmo lento. A previsão inicial de entrega era no fim de 2010, agora remarcada para 2014.

O eixo leste avançou substancialmente. Ele deslocará as águas por regiões áridas de Pernambuco e Paraíba. O eixo norte, trazendo água para o Ceará, encontra-se com 49% de seu cronograma cumprido.

É nele que se concentra a maior parte das interrupções das obras. Esses caminhos das águas cortarão terras agricultáveis, com elevada produtividade agrícola em períodos normais de inverno. Mas as secas periódicas têm inviabilizado sua exploração agroindustrial. O segundo projeto, prioritário para o PAC II, o da Ferrovia Transnordestina, segue o mesmo ritmo do descompasso. Projeto estruturante estimado em R$ 6,5 bilhões, a ferrovia, com 1.728 km de extensão, irá permitir a integração das demais regiões brasileiras, a partir da união de três sistemas ferroviários do Nordeste: Missão Velha (CE), Salgueiro (PE) e Petrolina (PE).

Nos 526 quilômetros programados para o Ceará, a ferrovia irá possibilitar, também, a interligação dos portos de Pecém (CE) e de Suape (PE). Além de acompanhar o traçado original da antiga Rede de Viação Cearense, a Transnordestina terá um ramal originando-se em Itapiúna para alcançar o Porto de Pecém.

A presidente da República reuniu-se ontem no fim do intenso roteiro de visitas com os governadores do Ceará, Piauí e Pernambuco, em Juazeiro do Norte, para uma avaliação sobre o que viu. O governo ganha quando enfrenta com firmeza os obstáculos interpostos pelos mais variados motivos.

As lideranças políticas e empresariais do Ceará não podem baixar a guarda em relação a esses empreendimentos. Apesar da boa vontade externada pela governante, os movimentos contrários a quaisquer investimentos governamentais no Nordeste são persistentes.

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