Em seis anos, Câmara de Maceió recebeu R$ 20 milhões de aumento

E, para completar, os vereadores terão, em 2012, um aumento de 21% nos salários- o quarto maior reajuste do Brasil

Odilon Rios
reporternordeste.com.br

Apesar do anúncio- na última sexta-feira- de uma volumosa devolução de R$ 8 milhões aos cofres do município, a Câmara de Vereadores de Maceió, de longe, não é um exemplo de um legislativo econômico. Alagoas é um dos estados mais pobres do Brasil e a Câmara de Maceió aumentou, em seis anos, seus gastos em quase R$ 20 milhões (exatos R$ 17.498.900).

E, para completar, os vereadores terão, em 2012, um aumento de 21% nos salários- o quarto maior reajuste do Brasil- segundo levantamento realizado pela Folha de São Paulo.

Investigada pelo Ministério Público Estadual, a Câmara teve esta evolução de gastos:

– Em 2006, exatos R$ 32.501,1;
– Em 2007, R$ 38.388,2
– Em 2008, R$ 40.457,9;
– Em 2009, R$ 40.724,7.

Em 2010, driblou o números. Anunciou um corte de 3,4%. Sua despesa ficou em R$ 39.343,4. Era um tímido sorriso de Mona Lisa, que se alargou um ano depois.

Em 2011, foi recompensada: R$ 42.203,8. E, em 2012, os vereadores vão às urnas com mais dinheiro (é o que querem): R$ 50 milhões. Aumento de R$ 20 milhões- desde 2006.

A Câmara de Vereadores de Maceio é destaque nacional pela forma como gasta os recursos da verba de gabinete, tornada ilegal pelo Ministério Público Estadual; é destaque também porque o quarto vereador mais votado da capital- o cabo (demitido do serviço público) Luiz Pedro da Silva (PMN) já foi preso por liderar um grupo de extermínio na parte alta de Maceió.

Em 2009, o então presidente da Câmara (hoje deputado estadual) Dudu Holanda (PMN) e o então primeiro secretário, Paulo Corintho (PDT) rolaram pelo chão, em briga, no Natal dos ricos, por causa da partilha do dinheiro no legislativo de Maceió. Ambos foram parar da delegacia. Corintho teve parte da orelha arrancada.

Em 2011, um presente: o legislativo aprovou o enterro de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar os gastos do lixo em Maceió. O prefeito Cícero Almeida (PP) é investigado por chefia a máfia, na capital.

Enterrada a CEI, os vereadores ganharam alguns milhões a mais, para construir o futuro prédio da Câmara- que nunca sai do papel.

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