Diário do Nordeste
Um levantamento divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa e Estratégica Econômica do Ceará (Ipece) aponta que a proporção de cearenses em condições de extrema pobreza caiu de 15%, em setembro de 2006, para 10,14%, em igual mês de 2011. No entanto, ainda que o resultado seja positivo, o Estado permanece na quarta posição do ranking daqueles com maior percentual da pessoas nesta situação, atrás de, na ordem, Maranhão
(15,81%), Alagoas (10,97%) e Bahia (10,32%). O critério utilizado pelo Ipece para definir extrema pobreza é o de renda per capita inferior a R$ 70 em 2011 e a R$ 56 em 2006 (as diferenças se dão por conta da inflação nesse período).
Em números absolutos, a queda do Ceará foi de 353,6 mil pessoas, reduzindo de 1,21 milhão, em 2006, para 858,3 mil, em 2011. Esse contingente se configura na maior diminuição verificada entre todos os estados brasileiros neste intervalo de tempo. É importante levar em consideração que essas evoluções não foram influenciadas ainda pelo Plano Brasil Sem Miséria, lançado pelo governo federal no ano passado.
“O Fato dessa ser a maior redução no número de pessoas na extrema pobreza do País entre 2006 e 2011 é algo importante, mas devemos ter em mente que temos ainda mais de 850 mil cearenses nessa condição. Entretanto, a perspectiva é positiva para que possamos acelerar ainda mais essa queda”, avalia Jimmy Oliveira, analista de políticas públicas do Ipece. “Os efeitos dos programas Brasil Sem Miséria e Brasil Carinhoso, aliado às políticas do Estado em andamento nas mais diversas áreas e apoio financeiro adicional com foco na pobreza, através dos novos empréstimos do Projeto São José III e o P4R (programa por Resultado), irão reforçar as ações nessa direção”, conclui.
Comparativo
Na comparação com outros estados, o destaque ficou por conta do Piauí, que, no mesmo intervalo de tempo, conseguiu reduzir seu índice em praticamente 10 pontos percentuais, saindo de 18,62% para 8,59%. Com isso, o estado, historicamente conhecido como o mais pobre do País, deixou a segunda posição do ranking para ser o sétimo em proporção de pessoas em condições de extrema pobreza. O Ceará, apesar de ter atingido no ano passado o seu menor índice de desigualdade social nos últimos 30 anos, não conseguiu acompanhar o mesmo ritmo do vizinho.
Porém, o diretor-geral do Ipece, Flávio Ataliba, aponta como aspecto positivo a comparação com o Rio de Janeiro, um dos estados economicamente mais sólidos do País. “Em 2006, a proporção de pessoas em extrema pobreza no Rio era de apenas 2,36%. Cinco anos depois, esse índice caiu para 2,33%, uma diferença muito pequena. Ou seja, isso significa que devemos reconhecer o esforço do Ceará para, tendo menos força econômica, conseguir reduzir bem mais”, ressalta Ataliba.
3º que mais reduziu
Se em número absolutos, o Ceará pode se orgulhar de ter sido o que diminuiu a quantidade de pessoas em situação de extrema pobreza no País, em proporção, o Estado foi o terceiro, reduzindo esse índice em 4,86 pontos percentuais, perdendo somente para o já citado Piauí (-10,03 pontos), Alagoas (-7,98 pontos) e Paraíba (4,89 pontos).
Reforço no ano que vem
Os cearenses que vivem em situação de pobreza, principalmente na área rural, devem ganhar, a partir de 2013, mais incentivos. Na última quarta (3), o governo estadual fechou um acordo com o Banco Mundial que renderá um total de US$ 300 milhões a serem investidos em abastecimento de água e projetos produtivos no interior do Ceará.







