A dependência dos programas assistencialistas- como o Bolsa Família- aumentou em oito vezes entre os anos de 2001 e 2011 em Alagoas. É o maior percentual do Nordeste.
O estudo foi divulgado esta semana pelo Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP), da Universidade Federal do Ceará (UFC). O levantamento foi realizado com base na Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio (Pnad).
E divide a origem da rede em quatro itens: trabalho, alugueis e doações, pensões e aposemtadorias e outras rendas (programas de transferências, juros de cadernetas de poupança e aplicações financeiras em geral).
Neste último quesito, Alagoas registrou um salto- de 0,76% para 6,13%.
No mesmo período, o Nordeste saiu de 1,08% para 4,37%. No Brasil, a variação foi menor: de 0,85% para 1,96%.
O levantamento, baseado na Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio (Pnad) divide a origem da renda em quatro itens: trabalho, aluguéis e doações, pensões e aposentadorias, e outras rendas Este último quesito, composto principalmente pelas assistências sociais do governo, saltou de apenas 1,59%, em 2001, para 4,49% em 2011.
Ao se observar a renda do trabalho, percebe-se uma queda. Era de 69,63%. Recuou para 67,91%. As fontes de renda com alugueis e doações também caiu: estava em 2,87%. Caiu para 0,34%.
Até mesmo as aposentadorias e pensões, responsáveis pelo giro econômico em algumas cidades alagoanas, registrou pequena queda entre os anos de 2001 e 2011. Era de 26,73%. Ficou em 25,62%.
Corrupção
Para a cientista social Ana Cláudia Laurindo, o aumento da dependência do Bolsa Família pode ser explicado pela falta de política dos gestores municipais e do Estado.
“Apenas um programa do Governo Federal não dá conta de resolver a fome ou oferecer melhores condições de sobrevivência ao nosso povo. Nos estados e nos municípios, a responsabilidades não são compartilhadas”, disse.
“Se houvesse uma política de mobilidade destes segmentos, obviamente baixariam os acessos ao Bolsa Família. Além disso, a dependência é resultado de gestores corruptos. Os baixos números do Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] no Nordeste estão ligados a cidades que acumulam escândalos políticos e onde a saúde e outras áreas sociais estão à beira da calamidade”, disse a cientista social.
Ela ressalta que a ideia de se “focar” unicamente no beneficiário induz a erros de análise e à permanência no modelo de dependência.
“Não se pode pensar apenas que os beneficiários destes programas são preguiçosos ou algo semelhante. Temos que olhar também os gestores e as cidades governadas por eles. Há oportunidades para se retirar estas pessoas do Bolsa Família? Onde estão estas oportunidades? O gestor público tem interesse em oferecer estes caminhos?”, questiona.
Ipea defende Bolsa Família
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgados no dia 25 de setembro, mostram que as linhas de pobreza e extrema pobreza no Brasil reduziram em 55%.
Em 2001, população com renda domiciliar per capita abaixo da linha de pobreza era de 24% do total. Em 2011, esse índice chegou a 10,2%.
O relatório “A Década Inclusiva (2001-2011): Desigualdade, Pobreza e Políticas de Renda”, feito a partir do Pnad mostra ainda a importância do Programa Bolsa Família, aliado ao aumento do salário mínimo, para a melhoria das condições de vida dos brasileiros menos favorecidos economicamente.
O Índice Gini, que mede a desigualdade, chegou a 0,527 em 2011 – quanto mais próximo de 0, menos desigual é um país. Em 2001, o Índice Gini do país era 0,61 e, em 1960, era 0,535.
A redução da desigualdade foi resultado da elevação da renda, sobretudo do trabalho (responsável por 58%), da Previdência (19%), do Programa Bolsa Família (13%), do Benefício de Prestação Continuada (4%) e outras (6%).
A pesquisa também mostrou que a renda subiu mais para os analfabetos (88,6%) do que para aqueles que têm mais de 12 anos de estudo (queda de 11,1%). Segundo os dados da Pnad, os 10% mais pobres tiveram aumento real de renda (91,2%) maior que os 10% mais ricos (16,6%). Do mesmo modo, cresceu mais no Nordeste (72,8%) que no Sudeste (45,8%) e teve elevação maior nas zonas rurais pobres (85,5%) que nas cidades (57,5%).








