Thiago Pinheiro é advogado criminalista
As redes sociais funcionam como um termômetro, uma espécie de dispositivo que fornece um padrão para avaliar hipóteses a serem confirmadas. Quando alguém publica uma imagem emoldurada em um quadro artístico, um poema ou uma poesia, o alcance e a interação são quase nulos. Faça o teste e alguém irá comentar, de forma irônica: “Virou poeta, foi?” Poucos, de fato, se permitem sentir.
Não é novidade que a arte exposta — seja pela escrita ou pela fala — não gera engajamento. De modo geral, a sociedade já não tem tempo para sentir e, tampouco, para apreciar valores imateriais. Observem alguns profissionais que, em vez de compartilhar conhecimentos sólidos, preferem exibir signos — nem sempre reais — de riqueza material. Eles expõem uma rotina de sucesso e oferecem dicas “valiosas” de como alcançá-lo. Fotografam-se em viagens, bons restaurantes, em um aparente mundo de conquistas e realizações.
O que impressiona é a falta de olhar crítico de alguns, na medida em que os que buscam o sucesso alheio creem cegamente nas imagens bem produzidas e veiculadas, as quais servem como isca para atrair o peixe faminto e fisgá-lo não pela boca, mas pelos olhos carentes de riqueza.
O conteúdo técnico e humano, aos poucos, é substituído pela superficialidade, pela ostentação infantil e pela capacidade de editar bons vídeos. O pior é que o próprio vendedor de sonhos, muitas vezes, não alcança o resultado esperado e vê-se frustrado, ansioso, recebendo a indiferença do mundo de ilusões que tentou construir.
É preciso sentir mais, enxergar menos e compreender o golpe inserido nos perfis que apresentam o “profissional de sucesso”, os quais, verdadeiramente esquecidos pelo mercado exigente, tentam encontrar nas redes sociais um meio digno de sobreviver vendendo ilusões — algumas vezes acertando.








