O destino da jornada de trabalho no Brasil ganhou um cronograma oficial. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou neste domingo (22) que o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6×1 será indicado já no início desta semana.
A decisão foi selada após reunião com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Leur Lomanto Júnior (União-BA).
Em vídeo publicado em suas redes sociais, Motta estabeleceu uma meta clara: a admissibilidade da proposta deve ser votada na CCJ até o final de março. Se aprovada nesta etapa, o texto seguirá para uma comissão especial, onde o mérito será debatido exaustivamente.
O deputado classificou o debate como “legítimo”, mas pregou cautela, afirmando que a mudança precisa ser conduzida com “responsabilidade”, ouvindo tanto sindicatos quanto o setor empresarial para evitar “radicalismos ou improvisos”.
A pressão popular pelo fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso ganhou tração em 2025, impulsionada pelo texto da deputada Erika Hilton (PSOL-SP).
Por decisão da presidência da Casa, a proposta foi apensada a um projeto mais antigo, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que tramita desde 2019. Ambas sugerem a redução da carga horária semanal de 44 para 36 horas, abrindo caminho para o modelo de quatro dias de trabalho por semana.
Além do clamor nas redes, a pauta conta com o “tapete vermelho” do Palácio do Planalto. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), já declarou que o tema é “prioridade absoluta” para a gestão federal.
Estrategicamente, o fim da escala 6×1 é visto como um trunfo eleitoral decisivo para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conectando o governo diretamente com as dores cotidianas da classe trabalhadora.








