Fim da escala 6×1 “já passou da hora”, diz Hugo Motta

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), subiu à tribuna na noite desta segunda-feira (9) para marcar uma posição histórica: o fim da escala 6×1 não é apenas uma pauta trabalhista, mas uma necessidade da “terceira década do século XXI”.

Em um discurso enfático, Motta defendeu que o país está maduro para revisar a jornada de trabalho, priorizando a dignidade e o tempo de qualidade em meio à revolução tecnológica.

Para embasar sua defesa, o parlamentar recorreu a paralelos históricos de peso. Motta comparou a resistência atual à PEC com o pessimismo que cercou a criação da CLT por Getúlio Vargas.

Segundo ele, os “eternos pessimistas” da época previram o colapso econômico, quando, na realidade, a medida fundou a classe média brasileira e impulsionou a formalização do emprego.

“Essa é uma discussão que já começa tarde. Mais uma vez, aqueles que só veem a escuridão poderão apertar as sirenes do pessimismo”, disparou o presidente da Casa.

Acompanhado pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), Motta foi ainda mais longe ao citar a Lei Áurea.

Ele relembrou que, no século XIX, dizia-se que o Brasil quebraria sem a mão de obra escravizada, mas a liberdade acabou sendo o motor da industrialização.

Para o deputado, o fim da escala 6×1 segue essa mesma lógica de superação de uma “dívida social”.

O tom de urgência já tem desdobramentos práticos. Motta convocou para a manhã desta terça-feira (10) a reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O encontro servirá para eleger o presidente e o vice do colegiado, passo essencial para que a proposta comece, oficialmente, a tramitar na Casa.

Com a promessa de uma condução “responsável”, o presidente da Câmara sinaliza que o primeiro passo da caminhada foi dado.

.