Lula e Hugo Motta fecham acordo para acelerar fim da escala 6×1

Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participam da abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O cenário político de Brasília entrou em ebulição nesta semana com um movimento estratégico que promete mexer diretamente na rotina de milhões de brasileiros.

Em jantar realizado na última quarta-feira (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), selaram um compromisso para dar tração à proposta que visa extinguir a jornada de trabalho 6×1.

O encontro, que contou com a presença dos ministros Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), serviu para alinhar o cronograma de uma pauta que o governo considera vital para 2026.

Segundo apuração do jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, uma reunião técnica está agendada para a próxima semana para detalhar o texto. Durante a conversa, Lula foi enfático: o objetivo central é a transição para um modelo de, no máximo, 5×2.

Embora o projeto original ventilasse o regime 4×3, o Planalto trabalha agora com uma redução da jornada para 40 horas semanais, prevendo uma diminuição progressiva até atingir as 36 horas.

A medida enfrenta forte resistência do setor produtivo, que alega riscos de aumento de custos e perda de produtividade.

Apesar da pressão empresarial, Hugo Motta demonstrou simpatia pela causa e sinalizou a Lula que existe capital político para aprovar a iniciativa ainda no primeiro semestre deste ano, blindando o projeto do calendário eleitoral mais acirrado.

A estratégia do presidente da Câmara é iniciar a tramitação oficial na última semana de fevereiro, com um detalhe crucial: a relatoria deve ser entregue a um parlamentar de centro.

O movimento busca quebrar o gelo com a direita e facilitar o diálogo com setores moderados do Congresso.

Para o governo petista, a pauta vai além da legislação trabalhista; trata-se de sobrevivência política.

O fim da escala 6×1, somado ao aumento de direitos para entregadores e motoristas de aplicativos, é a grande aposta de Lula para retomar o diálogo com a classe trabalhadora.

O Palácio do Planalto identificou um distanciamento perigoso, especialmente entre os trabalhadores informais que, nas últimas eleições municipais em São Paulo, flertaram com discursos da direita.

Para estancar essa perda de base, o presidente criou um núcleo específico dentro do Planalto focado exclusivamente em trabalhadores informais.

A meta é clara: reconectar a esquerda a uma massa de eleitores que hoje prioriza a flexibilidade e o empreendedorismo, mas que sofre com o esgotamento da jornada atual.

Se a articulação com Motta prosperar, o governo terá em mãos uma vitrine poderosa para os próximos embates nas urnas.

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