À medida que avança a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, no lado da direita, também aumenta a pressão do PL nos estados e uma definição dos rumos do prefeito de Maceió JHC no comando dos liberais alagoanos.
No próximo dia 8 o PL estadual vai decidir quem será o seu próximo presidente estadual. A família Caldas ocupa duas funções estratégicas na legenda: o prefeito João Henrique, que é presidente, e a senadora (mãe do prefeito) Eudócia, que ocupa a função de primeira vice-presidente.
A última reunião aconteceu na semana passada, em 28 de janeiro. A desta semana está agendada para a próxima quarta-feira, 4 de fevereiro. Na pauta oficial, a definição da chapa à Câmara Federal. Na chapa, a primeira-dama Marina Cândia, a ex-primeira-dama do Estado Marina Cintra e bolsonaristas que não puderam comparecer ao encontro anterior.
O momento, porém, é de tensão.
Em 23 de janeiro, uma sexta-feira, JHC, ao lado de Lula e em evento presidencial- entrega de unidades habitacionais do Minha Casa Minha Vida- disse que “não tenha dúvidas, presidente, de que o povo saberá reconhecer todos os seus esforços”, gesto interpretado como um pacto entre os dois lados e que facilitou a ascensão da tia do prefeito, Marluce Caldas, à cadeira de ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), com direito a foto ao lado de Lula e o ministro dos Transportes Renan Filho, antes tratado como rival calheirista em outra disputa, a do Governo, em 2026.
O elogio a Lula foi indigesto no grupo do prefeito. Tanto que em, 28 de janeiro, JHC aparece no centro de uma reunião do PL e do Republicanos, sem a presença de bolsonaristas-raiz, como o deputado Cabo Bebeto e o vereador Leonardo Dias.
Ouvidos sob anonimato pelo Repórter Nordeste, convidados para a reunião do dia 28 citaram que JHC “não citou o nome de Flávio Bolsonaro nem uma única vez”. E o nome de Flávio deve permanecer de fora, também nesta semana.
O secretário de Governo Junior Leão nos disse que é preciso “deixar definir o candidato da direita. Pode ser o Flávio, a Michelle [Bolsonaro], o Tarcísio [de Freitas], o [Romeu] Zema ou mesmo o [Ronaldo] Caiado”.
No círculo do prefeito, há impaciência e insatisfação. “O prefeito é PSB 40 durante toda a jornada. O que eu sei é que o PL não aceitará essa situação. Perceba que os bolsonaristas-raiz não foram para essa “reunião”. Creio que estão articulando para o PL mudar de mãos. Aguardemos”, disse uma fonte.
Maceió é a única capital nordestina onde Jair Bolsonaro venceu duas eleições presidenciais (2018 e 2022), nos dois turnos. Um gesto que é simbólico porque o Nordeste é o maior reduto lulista do país.
Por isso os bolsonaristas alagoanos pedem uma ação mais organizada e definitiva do prefeito, declarando apoio a Flávio Bolsonaro (que é do PL) ou entregue a legenda ao deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça, que vem ganhando notoriedade na relatoria da CPI do INSS, além de ser visto como um bolsonarista mais fiel às bases que JHC.
O que atrapalha a saída de Gaspar do União Brasil para o PL? A tentativa do deputado Arthur Lira, do PP, barrar, na direção nacional do PL, o nome de Gaspar, também cotado ao Senado.





