O Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que ganhou projeção nacional na esteira dos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, encontrou nas investigações do Caso Master o combustível necessário para tentar retomar o protagonismo nas ruas e se distanciar, em definitivo, do bolsonarismo.
A estratégia, apurada pelo jornalista Pedro Venceslau, da CNN Brasil, marca uma nova fase do movimento, que agora busca capitalizar em cima de um escândalo que, segundo seus líderes, constrange tanto o governo quanto a oposição.
Em uma ofensiva jurídica e política, o MBL protocolou pedidos de afastamento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, da relatoria de processos ligados ao caso. Para o grupo, a imparcialidade do magistrado estaria sob suspeita, o que justifica a pressão por sua saída do processo.
“Incomoda esquerda e direita”
O coordenador nacional do MBL, Renato Battista (foto em destaque), afirmou à CNN que o Caso Master expõe as fragilidades das duas principais forças políticas do país. Em uma crítica direta aos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, Battista argumentou que o bolsonarismo tem evitado o debate aprofundado sobre o tema.
“O caso Master incomoda a esquerda e a direita. Os bolsonaristas convocaram uma marcha até Brasília porque não queriam responder perguntas incômodas. O bolsonarismo trata disso de forma genérica”, disparou o dirigente.
A tese do MBL é de que, enquanto o governo tenta abafar o caso e a oposição bolsonarista se perde em discursos superficiais para evitar desgastes próprios, abre-se uma “janela de oportunidade” para quem deseja cobrar transparência sem amarras ideológicas com os dois polos.
Como parte dessa estratégia de reposicionamento, o MBL já confirmou a convocação de novas manifestações populares. O objetivo é testar a capacidade de mobilização do grupo em um cenário de polarização ainda intensa, focando na pauta da corrupção e da independência das instituições.
O movimento aposta que o desgaste gerado pelas operações da Polícia Federal e as cifras bilionárias envolvidas no Caso Master possam atrair uma parcela do eleitorado que se sente órfã de uma representação política mais combativa e técnica.








