Vermelho tU – poema de Paulo Caldas

No vermelho

De um vermelho nu,

Longe

Do vermelho das amoras,

Próximo

Ao da casca do caju,

Surgiu um novo vermelho:

Vermelho, vermelho tu.

 

Traduzido por teu vestido,

Fulgurante antítese do azul

Fogo fátuo, fogo facho,

Fogo doido e corredor,

Fogo fêmea, fogo macho,

Fogo embriagador…

Fogo nobre, fogo cobre,

Fogo liga de fazer

Fogo tacho de ferver,

Fogo doce de comer,

Fogo sedento

Com sede de fogo ser.

 

No vermelho

De um vermelho cru,

Teu vestido sugeria

Poesia, sonho e magia

Taça de vinho se abria

Contendo teu corpo nu,

Chama linda, pequeninha

Acetinada e crua

A passear naquela noite

Com sua chama

Iluminando toda a rua

Roubando

A cena, certamente,

De um certo brilho da lua

Arremessando fagulhas,

Paramentadas faíscas,

Tal estilhaços de agulhas:

Teu vestido sorria

E sorrindo dançava

E dançando dava a nascer

Um novo vermelho,

Distante do acaju,

Com ar de vermelho próprio,

Chamado vermelho tu.

 

Paulo Caldas

 

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