Por que acordo entre Governo e Braskem não contempla prejuízos da mineradora em Alagoas?

Maceió, 09 de julho de 2020 Pinheiro - Terra de ninguém. Casa e prédios abodonados no bairro do Pinheiro em Maceió. Alagoas - Brasil. Foto: ©Ailton Cruz

Acordo entre governo de Alagoas e Braskem gera críticas de vítimas

O governo de Alagoas anunciou recentemente um acordo com a Braskem para o pagamento de R$ 1,2 bilhão em razão do desastre ambiental que provocou o afundamento de cinco bairros em Maceió. O valor será repassado em dez parcelas anuais até 2030 e, segundo o Estado, será destinado a projetos de infraestrutura, requalificação urbana e programas sociais voltados às comunidades atingidas.

Apesar da oficialização, o Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) reagiu com indignação. Para o grupo, o montante não reflete a dimensão dos prejuízos causados pela mineração de sal-gema, que obrigou milhares de famílias a deixarem suas casas e comprometeu a economia local. A entidade calcula que os danos poderiam chegar a R$ 30 bilhões e critica o fato de não ter participado das negociações.

O governo defende que o acordo garante recursos imediatos e previsíveis, encerrando a disputa judicial com a empresa e permitindo investimentos em obras estruturantes. Já as vítimas afirmam que o processo transformou uma tragédia humana e ambiental em uma transação financeira, sem contemplar adequadamente as perdas individuais.

O impasse expõe duas visões distintas: de um lado, o Estado busca assegurar recursos para compensações coletivas e melhorias urbanas; de outro, os moradores afetados denunciam que continuam sem reparação justa para reconstruir suas vidas.

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