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Mortos não revelam segredos

A chacina no Rio de Janeiro também carrega um princípio básico: criminosos mortos, cheios de segredos, vão para o túmulo empurrados pela polícia, geralmente em conluio com os mesmos criminosos.

Na era Michel Temer, a segurança pública do Rio esteve sob intervenção. O general Braga Neto, hoje preso, foi escolhido interventor. Nem extinguiu as milícias e virou um dos principais ministros de um político com livre trânsito entre milicianos, Jair Bolsonaro, depois candidato a vice em chapa presidencial.

Tudo assim, cheirando a estranheza.

Um governador bolsonarista, Cláudio Castro, promove uma ação de matança selecionada, restrita a um espaço geográfico, massacra a quem ele chama de bandidos. E está tudo certo.

Em Alagoas quem gostava de chacina era o coronel Amaral, que que tinha seu “bandido bom bandido morto” funcionando como mantra. Por décadas seu modelo policial nunca eliminou os bandidos do colarinho branco. Ou seja: o coronel Amaral foi conivente com o crime organizado porque seu método capturava apenas alguns, poupando outros.

O governador do Rio escolhe a dedo sua gente matável. Nenhum deles rico. Nenhum deles herdeiro de fortuna. Nenhum deles deputado estadual ou federal. Ou seja: nessa forma de olhar o mundo só existe traficante na favela ou comunidade.

E em posição ainda melhor: morto, porque sabia demais.

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