Coletivo Mulheres que Escrevem: espaço fortalecedor, por Merandolina Melo

Organismo fortalecedor, o Coletivo Mulheres que Escrevem intensifica as relações de convívio e vai desenvolvendo em nós o sentido da criação literária como algo vivo.

Nesse Coletivo compreendemos que vivenciar o ofício da escrita não é apenas narrar o que sentimos, mas permitir que a outra pessoa também se enxergue no que escrevemos e, juntas, possamos sustentar o peso e a beleza de existir.

Muitas vezes, escrever é um ato solitário, mas há momentos em que essa solidão precisa abrir as janelas e deixar que outras vozes entrem, permitindo que os ecos das experiências de outras pessoas acalorem a nossa própria escrita.

No espaço coletivo, as palavras ganham corpo. Elas deixam de ser apenas confissões e se tornam pontes. Cada livro que vem ao mundo é um poema compartilhado, é uma semente lançada no terreno fértil. E o que brota desse encontro de pessoas é algo maior que a soma das partes: é aprendizado, é afeto, é o reconhecimento de que ninguém escreve só para si.

Quando uma mulher lê e partilha a escrita da outra, a consciência coletiva floresce. Isso é força ancestral, onde o sentimento se reconhece e a coragem se multiplica. As palavras, antes tímidas, criam raiz e voz.

Desta maneira, tenho aprendido muito e me fortalecido com a experiência de outras mulheres. Trilhar em grupo é como acender uma fogueira: cada chama traz sua luz, mas é o calor das pessoas que mantém o fogo aceso. O Coletivo é força e abrigo.

 

Merandolina Pereira de Melo é membro-fundadora do Coletivo Mulheres que Escrevem, professora e escritora viçosense.

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