O sonho do padre

Toda grande obra começa com um sonho — e há sonhos que não dormem, mesmo quando os sonhadores já não estão aqui. Foi assim com o Padre Teófanes Augusto de Barros, homem de fé e de ideias largas, que acreditou que Alagoas merecia mais do que promessas: merecia um espaço onde o saber florescesse, onde a juventude pudesse construir o próprio destino com a ferramenta mais poderosa de todas — o conhecimento.

Foi dele a semente primeira do que viria a ser o CESMAC. Em 1973, seu sonho tomou forma concreta com a criação do Centro de Estudos Superiores de Maceió, nascido da Fundação Educacional Jayme de Altavila. Não era apenas a fundação de uma escola: era um gesto de confiança no futuro. Padre Teófanes sabia — como sabem os visionários — que as verdadeiras mudanças não nascem dos discursos inflamados, mas dos gestos silenciosos e persistentes.

Em janeiro de 1975, o primeiro vestibular anunciava que a utopia estava em marcha. E em 1977, quando a primeira turma colou grau, não foi apenas um grupo de formandos que atravessou o palco: foi a própria esperança que recebeu diploma. A pequena instituição, que começara tímida, ganhava corpo e alma. E cresceu. Espalhou raízes. Criou novos cursos, ergueu laboratórios e bibliotecas, abriu campi em outras cidades. O sonho do padre, tecido com fé e coragem, havia virado realidade — e realidade transformadora.

Mas toda casa precisa de alma, e toda alma precisa de guardiões. O CESMAC os teve — e os tem — em nomes que se tornaram parte indissociável de sua história. Douglas Apratto Tenório é um deles. Historiador por vocação e humanista por destino, trouxe à instituição a inquietação dos que pensam e a serenidade dos que educam. Na Vice-Reitoria, sua presença é bússola e horizonte: orienta caminhos, amplia projetos, mantém viva a chama original do sonho de Teófanes.

E nada disso seria possível sem a parceria constante e inspiradora do Reitor João Sampaio e de toda a sua equipe diretiva, que fazem da gestão universitária mais que um ato administrativo: fazem dela uma forma de compromisso com a sociedade. Juntos, eles compreendem que uma universidade não é um edifício de paredes frias, mas um organismo vivo que precisa dialogar com seu tempo, acolher sua comunidade, provocar reflexões e oferecer respostas.

Por isso, o CESMAC vai além das salas de aula. Ele se estende em projetos de extensão que alcançam os mais vulneráveis, em clínicas-escola que devolvem saúde e dignidade, em pesquisas que iluminam o presente e projetam o futuro. Tudo isso mantendo o mesmo espírito do início: o de que a educação é a forma mais legítima e duradoura de justiça social.

Hoje, ao cruzar os corredores da instituição, sente-se ainda o sopro do sonho do Padre Teófanes. Ele está nas bibliotecas silenciosas onde nascem ideias, nos laboratórios onde ciência e curiosidade se encontram, nos olhos dos estudantes que chegam cheios de incerteza e saem cheios de mundo. Cada formatura é uma renovação daquela primeira colação de grau de 1977. Cada aula é uma reafirmação da fé que deu origem a tudo.

O CESMAC não é apenas um centro universitário. É a prova viva de que um sonho pode atravessar o tempo, transformar vidas e se multiplicar em milhares de outras esperanças. É o milagre discreto que Cony tanto admiraria: aquele que nasce de um gesto simples e silencioso — como a semente lançada por um padre há mais de meio século — e floresce em gerações inteiras.

E assim segue a casa que o tempo sonhou: fiel à sua origem e aberta ao futuro, conduzida pelas mãos firmes de João Sampaio, Douglas Apratto Tenório e toda a sua direção, que mantêm acesa a chama que o Padre Teófanes acendeu. Porque sonhos assim não se apagam. Apenas se transformam — em conhecimento, em liberdade, em destino.

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