O desafio de viver em sociedade, por Lídia Maravilha

Considerada a finalidade primeira da Ética, o autoconhecimento, e da sociopolítica, a convivência harmônica em sociedade, o maior desafio desta (con)vivência talvez esteja em nossa capacidade de enxergar, em verdade, o outro.

Sair de si mesmo para encontrar “este outro”, que, em maior amplitude, também sou “eu”, em humanidade.

Para abrir possibilidades à expressão saudável do individual no coletivo, é necessário que o próprio de cada Ser esteja sendo moldado na forja do aperfeiçoamento, numa infindável caminhada em busca de valores mais elevados.

Somente assim, o que é próprio do “Eu” reverbera no terreno do “Nós”.

O mito da caverna acontece em um cenário de desconhecimento da verdade, onde há prisioneiros expostos apenas às sombras de objetos e sons produzidos por outros tantos, também prisioneiros, mas com acesso à instrumentos que os permitem induzir às únicas verdades, tomadas como absolutas pelos primeiros, em projeção às chamas de um fogo.

Entretanto, o mito propõe a saída de um indivíduo do interior da caverna, que, ao aproximar-se da luz, ficará atordoado aos estímulos externos. Paulatinamente, irá adaptar-se à nova realidade.

Mais que isso, terá o impulso de retornar à caverna, para iluminar os demais e trazê-los à verdade.

Se a vida é cosmos, e não caos, assim deve ser o caminho de cada um, individualmente, propondo-se a sair da escuridão em busca da luz, e tendo-a encontrado, como uma tocha acesa, ilumina os demais.

 

Lídia Maravilha é advogada

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