Conflito entre EUA e Venezuela se intensifica com acusações de narcotráfico

Uma escalada de tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela marcou o envio de ao menos sete navios de guerra americanos para o sul do Caribe. O movimento militar ocorre após a secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, anunciar uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão de Nicolás Maduro, acusado de narcotráfico.

A acusação formal, em curso desde 2020, foi acompanhada da declaração de que Maduro seria “uma ameaça à segurança nacional”.

Em poucas horas, mais de 4.000 militares americanos foram enviados à região, reforçados por navios, submarinos e aeronaves de inteligência. A rapidez da ação surpreendeu muitos, especialmente após uma recente troca de prisioneiros e a retomada das exportações de petróleo venezuelano.

Embora a Casa Branca tenha setores que preferem evitar confrontos, a administração americana optou por confrontar Maduro com base em acusações de narcotráfico, em vez de focar na questão da democracia.

Apesar de acusações de envolvimento do governo venezuelano com o tráfico de cocaína existirem há uma década, os EUA não apresentaram provas contundentes do papel de Maduro. A Venezuela, por sua vez, nega categoricamente as acusações, ressaltando que o país não é um produtor de cocaína, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

A maior parte da produção e apreensão da droga na América Latina está concentrada em países como Colômbia e Peru.

Apesar da falta de evidências que liguem Maduro diretamente ao tráfico em larga escala, a realidade é mais complexa. O ex-secretário de Justiça dos EUA, Bill Barr, acusou o governo venezuelano de facilitar o transporte de “até 250 toneladas de cocaína anuais”, o que, embora minoritário no volume global, representaria um comércio ilícito multimilionário. O governo venezuelano admite a existência do narcotráfico no país, mas não que o promova.

No entanto, há evidências de envolvimento de altos escalões do governo, incluindo a condenação de parentes da primeira-dama em 2016 e a confissão de Hugo ‘el Pollo’ Carvajal, ex-chefe de inteligência, que se declarou culpado de conspirar para importar cocaína para os EUA.

A admissão de Carvajal, que supostamente está colaborando com promotores americanos, levanta a possibilidade de novas provas contra Maduro. O ex-oficial admitiu ter trocado armas por cocaína com as extintas guerrilhas das FARC. A colaboração de Carvajal, cuja sentença está marcada para 29 de outubro, pode ser a chave para esclarecer se ele auxiliou a Casa Branca a formular as acusações contra seu ex-comandante-chefe.

*Com Agências

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