A revista britânica The Economist dedicou a capa de sua edição semanal ao Brasil, com uma reportagem que analisa o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
O julgamento, que deve começar na próxima terça-feira (2), trata da suposta participação de Bolsonaro em uma trama golpista após as eleições de 2022.
A capa da publicação traz uma montagem de Bolsonaro como o “Viking do Capitólio” (Jacob Anthony Chansley), um dos invasores do prédio do Legislativo dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021.
A reportagem, intitulada “O que o Brasil pode ensinar à América”, sugere que o julgamento do ex-mandatário é um sinal de “recuperação” do país após uma “febre populista”.
Segundo a revista, Brasil e Estados Unidos parecem estar em “caminhos opostos”. Enquanto o Brasil “está determinado a salvaguardar e fortalecer sua democracia”, os EUA estariam se tornando “mais corruptos, protecionistas e autoritários” sob a influência de Donald Trump.
A publicação sugere que as memórias da ditadura militar (1964-1985) e a percepção da população de que Bolsonaro tramou um golpe ajudam a explicar por que o Brasil estaria agindo de forma diferente de outras nações nesse aspecto.
O Economist também destaca o papel do STF como “guardião da democracia brasileira”, mas aponta a necessidade de controlar o poder da Corte.
O periódico observa que, com a Constituição de 65 mil palavras e uma carga de 114 mil decisões em 2024, o tribunal tem um poder vasto, e os próprios juízes reconhecem a necessidade de mudanças.
A reportagem conclui que, apesar das divisões políticas e do fanatismo de apoiadores de Bolsonaro, os políticos brasileiros, de modo geral, querem “jogar conforme as regras e progredir por meio de reformas”.
Para a revista, o Brasil se tornou, “ao menos temporariamente, o adulto democrático do hemisfério ocidental”.








