Uma jornalista despertou o ódio das milícias digitais em Santa Catarina, quando relatou a fluidez com a qual o dinheiro público migra para páginas aparentemente engraçadas e burlescas, mas que se tornam os maiores canais de procura de informação por parte da população.
No caso, tais páginas que parecem engraçadas, passam a elencar pautas que beneficiam diretamente o poder pagante e seus interesses em manter a sociedade “desinformada”, em claro vínculo com os projetos extremistas, liberais e nazifascistas.
De acordo com Amanda Miranda, do perfil @reclama_amanda que tem 37,5 seguidores no instagram, a página conhecida como Floripa Mil Grau, que mantém um formato comum e espalhado por todo país (certamente todo estado possui a sua página anti-crítica de estimação), já recebeu do governo de Santa Catarina pelo menos 128.000,00 em 2025, em verba publicitária.
Enquanto investe na pilhéria, pauta irrelevante e fomento à morte da informação crítica, o poder vai se consolidando dentro e fora dos estados, como incólume à prática de verdade, algo extremamente perigoso para a democracia e o interesse público.
Tomando o caso da jornalista Amanda Miranda, sua ética e fidelidade ao jornalismo, mas registrando os enormes ataques que sofreu nas redes sociais ministrados por milícias digitais, refletimos sobre as várias maneiras de enterrar o jornalismo.
Em Alagoas existe um clima hostil para com o jornalismo crítico, mas o que mais assusta é a postura servil da maior parte dos meios de comunicação, que acabam por isso, transformando notícias em relatos comuns de um cotidiano apolítico, onde a sociedade encara seus dramas como fatalidades ou resultados de comportamentos.
O financiamento de veículos de comunicação como “contrato de amizade” com o poder, é uma artimanha conhecida, mas que hoje, fica ainda mais volátil através do financiamento de páginas ditas “engraçadas”, que tendem a transformar os indivíduos em “risíveis” e o poder em “intocável”.
Assim se enterra o jornalismo.
Mas se a história segue viva, este fato também seguirá marcando cada linha.
A função social do jornalismo é informar para instrumentalizar a sociedade, e esta, quando dotada de recursos democráticos, éticos e cidadãos, poderá ter condições de lutar pelos interesses fundamentais, que vão além de todos os memes.
Por enquanto, será importante analisar o pano de fundo das páginas midiáticas que você acessa, porque enquanto cidadãos também dispomos de escolhas.





