Alfredo Gaspar é relator da CPMI do INSS; oposição comanda comissão

A instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, voltada à investigação de fraudes e descontos indevidos em benefícios previdenciários, tornou-se palco de uma disputa política que culminou em uma vitória significativa da oposição. Com a eleição do senador Carlos Viana (Podemos-MG) para a presidência da comissão, por 17 votos contra 14, a base governista sofreu um revés inesperado, revelando fissuras internas e uma reorganização das forças no Congresso Nacional.

A CPMI foi criada após denúncias da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre desvios que podem ultrapassar R$ 6 bilhões em aposentadorias e pensões. A gravidade das acusações mobilizou parlamentares de diferentes espectros políticos, mas a condução da comissão rapidamente se tornou um campo de disputa entre governo e oposição.

Carlos Viana, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, assumiu o comando da CPMI com apoio de parlamentares independentes e oposicionistas, rompendo acordos previamente estabelecidos entre líderes do Congresso e o Palácio do Planalto. A eleição, que normalmente seria simbólica, foi realizada por voto secreto, evidenciando a falta de consenso e a tensão nos bastidores.

A primeira medida de Viana foi rejeitar o nome indicado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para a relatoria da comissão. Em seu lugar, foi escolhido o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), também alinhado ao campo bolsonarista. A decisão gerou desconforto na base governista, que agora busca minimizar a derrota e reforçar sua influência nas deliberações da CPMI.

Gaspar já sinalizou que pretende convocar o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, para prestar esclarecimentos sobre a gestão do INSS. A convocação, se confirmada, pode ampliar o desgaste político do governo e abrir espaço para novas investigações que extrapolem o escopo inicial da comissão.

Apesar da derrota na presidência e relatoria, a base governista ainda detém maioria numérica na CPMI, o que pode ser decisivo na condução dos trabalhos e na aprovação de requerimentos. No entanto, a perda do comando estratégico da comissão representa um desafio adicional para o governo, que terá de lidar com uma agenda potencialmente adversa e com a amplificação de narrativas críticas à sua gestão.

A vitória da oposição também é interpretada como um sinal de reorganização das forças conservadoras no Congresso, que buscam recuperar protagonismo após derrotas eleitorais e judiciais. A CPMI do INSS, nesse contexto, torna-se uma vitrine para a atuação da direita, com potencial para gerar desdobramentos políticos e jurídicos relevantes.

Nos bastidores, líderes governistas avaliam que a derrota foi resultado de falhas na articulação política e na condução das negociações com os partidos do chamado “centrão”. A ausência de um acordo sólido e a subestimação da capacidade de mobilização da oposição contribuíram para o resultado desfavorável.

A CPMI terá como foco principal a apuração de irregularidades em contratos de consignados, descontos indevidos em benefícios previdenciários e a atuação de entidades suspeitas de envolvimento em esquemas fraudulentos. O escopo da investigação, no entanto, pode se ampliar conforme o andamento dos trabalhos e as decisões da presidência e relatoria.

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