Chanceler brasileiro afirma que Constituição “não está em mesa de negociação”

Brasília (DF), 28/05/2025 - Reunião da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara para ouvir o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

 O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reafirmou nesta segunda-feira (4) que a Constituição brasileira “não está e nunca estará em mesa de negociação”, em referência às tentativas de golpe após as eleições de 2022. Durante solenidade pelos 80 anos do Instituto Rio Branco (IRBr), o chanceler destacou que a soberania do país “não é moeda de troca diante de exigências inaceitáveis”.

“Nossa sociedade democrática e suas instituições derrotaram uma tentativa de golpe militar, cujos responsáveis estão hoje no banco dos réus, em processos transparentes, transmitidos pela TV em tempo real, com direito a ampla defesa”, declarou Vieira. O ministro ainda expressou orgulho em defender a soberania brasileira “contra ataques orquestrados por brasileiros em conluio com forças estrangeiras”.

O discurso ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Na última quarta-feira (30), o presidente norte-americano, Donald Trump, oficializou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, que entram em vigor na próxima quarta-feira (6). Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na sexta-feira (1º) que está “sempre aberto ao diálogo”, após Trump sugerir que o brasileiro poderia ligar para ele “a qualquer momento”.

Postura firme, mas diplomática

Em evento do PT no domingo (3), Lula defendeu uma postura equilibrada nas relações internacionais: “Tenho um limite de briga com o governo americano. Não posso falar tudo que penso, falo o que é necessário”. O presidente ressaltou que o Brasil não é uma “republiqueta” e deve ser respeitado por seu tamanho e interesses estratégicos.

Mauro Vieira seguiu a mesma linha, afirmando que o diálogo é o caminho para resolver impasses com os EUA. “Queremos usar todas as palavras do dicionário para negociar soluções. A palavra é a arma da diplomacia”, disse. O chanceler reforçou o compromisso do Brasil com o multilateralismo, alertando que a alternativa seria “o arbítrio unilateral e a lei da selva”.

O governo brasileiro busca equilibrar firmeza na defesa de seus interesses e abertura ao diálogo, enquanto navega em um momento de desafios nas relações com Washington. A cobrança por respeito à soberania nacional e às instituições democráticas segue como eixo central do discurso oficial.

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