DPU exige estudo sobre rachaduras em casas; suspeita envolve Mineradora Vale Verde

A Defensoria Pública da União (DPU) exigiu a realização de estudos técnicos sobre as rachaduras que vêm comprometendo dezenas de imóveis na região. A medida foi tomada após o agravamento das denúncias feitas por moradores que atribuem os danos estruturais às explosões realizadas pela Mineradora Vale Verde (MVV), responsável pela extração de cobre, ferro e ouro na mina Serrote da Laje desde 2021.

A DPU ingressou com uma ação civil pública em 2023, solicitando providências urgentes diante dos impactos causados pela atividade mineradora. Em novembro de 2024, a Justiça Federal homologou um acordo que obriga a MVV a contratar, no prazo de 30 dias, uma universidade pública para conduzir estudos técnicos sobre os efeitos das detonações. A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) é a instituição mais cotada para assumir a tarefa, que deverá incluir análises sobre rachaduras em imóveis, tremores de terra e possíveis danos ambientais nos rios Traipu e Salgado.

Além dos estudos, o acordo prevê a estruturação das Defesas Civis de Craíbas e Arapiraca. A mineradora deverá fornecer veículos, drones, rádios, GPS e equipamentos de proteção individual, além de custear, por um ano, um servidor técnico para atuar na Defesa Civil local. A medida visa garantir resposta mais rápida e eficiente às ocorrências relacionadas à mineração.

Relatórios recentes da Defesa Civil estadual apontam que ao menos 114 residências apresentam fissuras significativas. Moradores relatam ainda aumento de doenças respiratórias, queda na qualidade da água e ruídos intensos durante a noite. A situação se agravou após a aquisição da MVV por um grupo estrangeiro, o que ampliou a capacidade de extração e, consequentemente, os impactos sobre a população local.

A Defensoria também solicitou que o município de Craíbas realize vistorias detalhadas em cerca de 70 casas com danos mais severos. Em caso de risco de desabamento, os imóveis deverão ser interditados e, se necessário, decretada situação de emergência. A DPU segue monitorando o cumprimento das obrigações assumidas pela empresa e cobrando medidas efetivas para proteger os direitos da população atingida.

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