O café, uma das bebidas mais consumidas pelos brasileiros, está pesando cada vez mais no bolso. Desde janeiro de 2024, o preço do produto torrado e moído acumulou alta de 98,4%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Somente em maio de 2025, a elevação foi de 4,6%.
A disparada nos preços já reflete no comportamento do consumidor. Segundo levantamento do setor, as vendas de café caíram 16% em abril em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado dos quatro primeiros meses deste ano, a queda foi de 5%.
O mercado enfrenta um momento difícil causado por uma série de fatores: condições climáticas adversas, com secas e chuvas fora de época; aumento nos custos de produção; atrasos logísticos e encarecimento do transporte; instabilidade geopolítica; e um crescimento expressivo da demanda internacional, especialmente da China.
Entre 2002 e 2022, o consumo de café na China saltou de 231 mil para 2,8 milhões de sacas por ano. Esse avanço pressiona ainda mais a oferta global, que já enfrenta dificuldades.
O impacto da crise atinge também os clubes de assinatura e cafés especiais, que estão sendo obrigados a repassar os custos aos clientes. Especialistas apontam que o alívio nos preços só deve começar em 2026, com a recuperação das safras no Brasil e no Vietnã, os dois maiores produtores mundiais.
Ainda assim, analistas são cautelosos: mesmo com melhora na produção, é improvável que os preços retornem aos patamares anteriores à crise atual.
*Com Agências








