A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão e perda do mandato, anunciou nesta terça-feira (3) que deixou o Brasil e está na Europa.
A parlamentar bolsonarista afirmou que pretende pedir afastamento do cargo e alegou que sua saída do país ocorreu inicialmente para buscar tratamento médico.
Zambelli foi condenada em maio por envolvimento na invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ação coordenada com o hacker Walter Delgatti, que também recebeu pena de oito anos e três meses de prisão.
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, Delgatti violou mecanismos de segurança e inseriu documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
A defesa do hacker alega que Zambelli foi a mentora intelectual do ataque.
Em uma transmissão ao vivo no canal de extrema-direita Auriverde Brasil, no YouTube, Zambelli declarou que está fora do país há alguns dias e que pretende se basear na Europa, onde possui cidadania europeia.
“Não é um abandono do país, não é desistir da minha luta, muito pelo contrário. É resistir e poder continuar falando o que eu quero falar”, afirmou a deputada, sem revelar em qual país está.
A parlamentar também mencionou que sua saída foi motivada por questões de saúde e que sua defesa chegou a solicitar prisão domiciliar, alegando que ela sofre de depressão, síndrome da taquicardia postural ortostática e síndrome de Ehlers-Danlos.
Em declarações anteriores, Zambelli afirmou que não sobreviveria na prisão.
Além da condenação criminal, Zambelli enfrenta mais de 20 processos judiciais e recentemente arrecadou R$ 285 mil em doações via Pix de apoiadores para custear multas e despesas legais.
Entre as penalidades impostas, está uma multa de R$ 2 milhões, que deve ser paga por ela e Delgatti.
A deputada também declarou que pretende viajar pela Europa e se reunir com autoridades para denunciar o que chama de distorções na realidade brasileira.
Sem acesso às suas redes sociais, Zambelli pediu que seus apoiadores sigam os perfis de sua mãe, Rita, que deve disputar as eleições no próximo ano.
A condenação de Zambelli foi decidida por unanimidade pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
O julgamento considerou que a deputada e Delgatti cometeram os crimes de falsidade ideológica e invasão de sistemas da Justiça, causando relevantes e duradouros danos à credibilidade das instituições.
A Câmara dos Deputados ainda deverá confirmar a perda do mandato de Zambelli, o que a tornará inelegível conforme a Lei da Ficha Limpa.






