A mulher intelectual é colocada em diversas provas, após passar pelos rituais acadêmicos de iniciação. Se existem rigores para a inclusão do gênero masculino nestas plagas, ao feminino é imposta uma camada muito mais exaustiva de obstáculos, sendo a maioria deles manejados por homens, embora isso não exclua a participação de outras mulheres.
Ocupar espaços “construídos” para os homens, penaliza de muitas formas as mulheres que assumem posições nos campos da intelectualidade, contrariando os padrões “construídos” para elas, para nós.
Desde os postulados servis aos cuidados e disposições de usufruto, aos meramente acessórios, que instituem o embelezamento das ambiências masculinas com o retoque sensível da presença de mulheres meigas, que por tudo sorriem, a “masculinolândia” ocupa os postos de destaque, não relutando em jogar no abismo do descrédito mulheres independentes, que caminham sem a permissão dos homens.
Urge refletirmos sobre isso, porque a cada dia o círculo de defesa “entre si” do gênero que se acredita dominante cerca nossas parceiras de ideais libertários, neste mundo de opressores exigentes de respeito, amor e compreensões infinitas.
Basta de aceitarmos salvar o “clima” das relações!
Precisamos usar as artimanhas “femininas” ocupando com firmeza os espaços de influência, sem deixarmos sequer uma margem para aqueles e aquelas que não nos aceitam como seres totais, capazes de utilizarmos nossas sensíveis inteligências em ambientes de saberes formais ou não.
Nós mulheres intelectuais estamos atuando todos os dias na mesma convicção de competência, cada qual em suas áreas, e não precisamos sorrir antes de falar, reforçando acordos tácitos de inferioridade, porque isso é uma enganação.
Nosso timbre de voz pode ser suave ou não, mas o que importa é sermos respeitadas dentro das nossas capacidades de participação nos processos políticos, econômicos, culturais, sociais como um todo.
Somos portadoras de sapiências, atuamos entre as ciências e sabemos valorizar cada conquista na mesma proporção que estamos desvendando as mentiras subliminares sobre nossas formas de participação. Nossas análises e opiniões são válidas e não será negociável esse espaço conquistado sob os grilhões de manicômios, torturas e feminicídios.
Cada mulher que pensa, escreve, fala, assume posicionamentos políticos libertários neste mundo é um elo forte que precisa ser preservado.
A mulher intelectual honra todas nós com suas renúncias, imersões e solidões, para emergir amadurecida na ocupação dos territórios, em manifestações conscientes.
Amar a mulher livre é o desafio antigo sempre presente, que pode começar pelo respeito de todos os homens e mulheres que apesar de tudo, ainda não entenderam a força desse processo.
Somos múltiplas em ações e potências, mas quando estivermos assumindo os postos da intelectualidade, não nos chamem de poetas.





