As narrativas que pontuam nos topos da atualidade estão todas vinculadas à opinião da internet.
De julgamentos a punições, elevação de personalidades e patrocínios que parecem injustos, passam por essa máquina de ilusões. Por aqui também tombam gigantes e isso não significa que eles deveriam cair, mas que alguém derruba ou levanta o que escolhe.
Da mesma maneira que a Análise do Discurso nos diz que tudo o que é dito está sendo repetido, porque já foi criado, a lei da internet não reflete uma originalidade de quem assume os comandos de julgamento, mas um cumprimento de tarefa pensada por outras mentes, as condutoras de algoritmo.
Como a tecnologia nasceu no berço do mercado, e assim como a ciência, não pode ser desenvolvida sem investimentos econômicos, os donos do mundo tomaram a dianteira dos processos e manipulam o entretenimento controlando o que será visto, ouvido, dito e “viralizado”.
A violência contra a humanidade aperfeiçoou os contornos.
Além de servos do dinheiro e do consumo, vamos sendo instigados a participar do comboio viral, abdicando de características fantásticas trazidas pela evolução, como por exemplo, a autonomia do pensar.
A vilania dos tribunais de internet já induziu inúmeros casos de autocídios. Convenceu o indivíduo sobre o fim da linha para ele, alguém “maldito” nas redes sociais e em consequência disso, “sem lugar no mundo”.
Precisamos utilizar estas mesmas redes para distribuir acolhimento às vítimas desse mal.
A história humana é maior do que qualquer traquitana política e econômica, porque germina no ser ontológico, e este mundo de violências virtuais traduzidas para a prática existencial, está disputando nossas almas uma a uma.
O Vale do Silício é o vale da morte, onde o “choro e o ranger de dentes” está sendo distribuído em cliks e likes sob o controle das big techs, transformando o cérebro em caçador de dopamina e os usuários de internet em soldados da matrix.
O retorno aos livros e à natureza anunciam o antídoto. Mas nem todos conseguirão salvar seus pensamentos corrompidos, a tempo.
Por hoje, leia um livro e contemple uma flor. Não esqueça nem abdique da sua humanidade, e lembre com carinho do quanto os outros também são humanos.





