Marcus Rômulo- é promotor de Justiça em Alagoas
Acerca do episódio que causou tanta celeuma: gentileza não se recusa, mas também não se pede. A passageira está coberta de razão neste episódio e constrangê-la dessa forma é inaceitável. Pior, constranger com um pseudo discurso moral. Você filma a pessoa sem a sua permissão, enquanto dispara ofensas contra ela, embutidas num discurso de vitimismo e falso moralismo, sobre falta de educação e de empatia, sem perceber que essas duas qualidades estão faltando em você mesma. Que xou da Xuxa é esse?!
Precisamos acabar com essa mania de perseguir os outros com um celular não mão, como se fosse uma arma, para postar nas redes sociais. Está na hora de criminalizar esta conduta. Todos têm direito a paz e sossego em locais públicos, especialmente durante um voo. Imagine uma discussão que resulte em briga em um ambiente com dezenas de pessoas encapsuladas num tubo de metal pressurizado, voando a três mil pés de altitude? Multa severa e proibição de embarque para passageiros abusivos. A ANAC deveria regulamentar isso.
Outro ponto que me chama atenção é a forma como alguns pais privam seus filhos de todos os riscos, erros e frustrações. Isso não é educar.
A frustração é elemento essencial para o amadurecimento e formação de um adulto resiliente, persistente e combativo. O que a vida requer de nós é coragem. Você vai cometer erros, vai perder, ser derrotado, vai se frustrar e terá que se reerguer, sacudir a poeira e dar a volta por cima! Como fazer isso sendo privado de todas as frustrações, por pais superprotetores? Uma geração birrenta, desacostumada a ouvir não, imediatista e com a sensibilidade dos alfenins está a caminho.
Se você é pai ou mãe deixei seu filho cair e se levantar; ouvir um não; não ter seus desejos atendidos; perder no esporte; ficar no banco de reservas; cometer erros corrigíveis, para que se torne um adulto maduro.








