Ronnie Lessa confessa assassinato de Marielle; ele visava lucro de R$ 100 milhões

O ex-policial militar Ronnie Lessa confessou, em seu depoimento, que assassinou a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. Ele também apontou os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, deputado federal, como os mandantes dos assassinatos.

Lessa afirmou que não foi contratado como um assassino de aluguel, mas sim para participar de uma sociedade com os irmãos Brazão. Ele alega que se encontrou três vezes com os suspeitos em uma avenida na Barra da Tijuca, onde teriam conversado sobre a motivação para matar Marielle.

Segundo Lessa, os irmãos teriam justificado o crime alegando que a vereadora estava atrapalhando os interesses deles em relação a loteamentos da milícia. Domingos Brazão teria dito que Marielle seria uma “pedra no caminho” e que ela precisava ser eliminada.

“Era muito dinheiro envolvido. Na época, ele falou em R$ 100 milhões que, realmente, as contas batem. R$ 100 milhões seria o lucro do loteamento. São 500 lotes de cada lado. Na época, daria mais de US$ 20 milhões”, disse Lessa.

“Então, na verdade, eu não fui contratado para matar a Marielle, como um assassino de aluguel. Não, eu fui chamado para uma sociedade”, declarou Lessa.

Lessa está preso desde dezembro de 2020 e sua delação foi homologada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em março deste ano.

No entanto, a Polícia Federal não conseguiu confirmar os encontros relatados por Lessa.

A defesa de Domingos Brazão afirmou que não há provas que sustentem a versão de Lessa, enquanto os advogados de Chiquinho Brazão classificaram a delação como uma tentativa desesperada em busca de benefícios, apontando contradições e inverdades nas declarações do ex-policial militar.

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