Os objetivos frustrados da CPI do MST: oposição ao governo sabotou a própria estratégia

Brasília (DF) 17/05/2023 Instalada a CPI do MST. Deputado Ricardo Salles é o relator. Foto Lula Marques/ Agência Brasil.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) teve início em maio deste ano na Câmara dos Deputados. A princípio, os congressistas da oposição visavam utilizar o colegiado como uma estratégia para minar o governo. Entretanto, recentemente, eles se depararam com a decepção de verem seus objetivos ir por água abaixo.

Após uma série de ataques direcionados aos ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e uma tentativa de associar o governo a crimes atribuídos ao MST, líderes partidários se reuniram para negociar uma série de trocas na composição da CPI. O acordo resultou na substituição de sete deputados membros da ala mais extremista da oposição e do Centrão por novos nomes, o que pode ser visto como uma possível tentativa do governo de ocupar mais ministérios.

Além disso, o depoimento de Rui Costa, ministro da Casa Civil, ao colegiado foi cancelado após um recurso apresentado por Nilto Tatto (PT-SP), alegando falta de conexão entre Costa e o tema da CPI. Essa decisão gerou críticas por parte do presidente da CPI, Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS), e do relator, Ricardo Salles (PL-SP).

Apesar das mudanças na composição, Zucco afirmou que não será necessária uma prorrogação da CPI, desconsiderando o pedido de prorrogação por 60 dias que ele havia solicitado. Além disso, Zucco mencionou que alguns dos deputados substituídos acreditam na possibilidade de retornarem à CPI no futuro. Enquanto isso, os deputados seguirão com as diligências em Alagoas e Goiás, visitando assentamentos e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O objetivo da CPI é fiscalizar as supostas invasões de propriedades coordenadas pelo MST. Durante os últimos meses, os parlamentares buscaram atingir o governo de Lula, associando as invasões de terras ao mandatário e convocando diversos ministros para depor. No entanto, apenas o depoimento de Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) foi aprovado, juntamente com o depoimento do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Gonçalves Dias.

A CPI também tem sido cenário de situações constrangedoras, com manifestações preconceituosas e machistas direcionadas às deputadas de esquerda. Durante uma sessão, o presidente do colegiado, Tenente Coronel Zucco, fez comentários ofensivos à deputada Sâmia Bomfim (PSol). O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), negou que as trocas na CPI tenham ocorrido para agradar ao Centrão, mas mencionou que as mudanças foram feitas devido aos atos violentos e preconceituosos ocorridos no colegiado, afirmando que a Casa se tornou uma “Casa sem lei”.

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