Amor, traição e morte no cangaço

João Marcos Carvalho

Para manter a disciplina no seio do bando que comandava com mão de ferro, Lampião, o mais famoso dos cangaceiros, impôs um rigoroso código de conduta a ser obedecido por seus subordinados.

 

Cristina e a algoz, Quitéria

Em um dos “artigos” a “constituição” da quadrilha – escrita apenas na memória do grupo criminoso – estabelecia o comportamento das mulheres cangaceiras.

A traição sexual ao marido era punida com a pena de morte.

Já o traído poderia, como vingança, matar o “fura olho”.

Ao confessar que traiu o marido, Zé Baiano, com o comparsa Bem-te-vi, Lídia, considerada a mais linda das cangaceiras, foi julgada e condenada pelo Tribunal do Cangaço, sendo executada a pauladas pelo próprio ofendido.

Já Bem-te-vi foi liquidado por Lampião, já que Zé Baiano ficou temporariamente enlouquecido logo após cometer o crime brutal contra a mulher pela qual se dizia apaixonado, fato que o deixou sem condições sequer de eliminar o rival.

Em um outro caso semelhante, Lili foi morta a tiros por Moita Braba.

A última ocorrência que teve a traição conjugal como causa ocorreu em 1937, tendo Cristina, cangaceira alta e vistosa, como vítima.

Companheira do bandoleiro Português, ela foi acusada de tê-lo traído com Gitirana, membro do sub-grupo comandado por Corisco.

Levada a julgamento – que teve Maria Bonita como implacável defensora da pena de morte – Cristina foi condenada e executada pelos cangaceiros Juriti e Luis Pedro.

Já Gitirana, defendido por Corisco, deixou o bando sem punição.

Décadas depois do fim do cangaço, a ex-cangaceira Aristeia, num histórico depoimento que pode ser conferido no YouTube, revelou que Cristina era inocente.

Segundo ela, a história da traição fora inventada pela cangaceira Quitéria, então mulher de Pedra Roxa, que estaria interessada em Português, e que, com o consentimento do ex-marido, acabou por ficar com ele após a execução de Cristina.

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