Coaracy Fonseca
Apesar da Pandemia, do trabalho difícil na Promotoria do patrimônio público, vejo com uma certa preocupação o pleito eleitoral que se aproxima. Existem muitos interesses econômicos em jogo.
Recebi alguns vídeos de uma jornalista que muito respeito, por sua coragem, mas a leitura de suas reportagens devem ser feitas pelas entrelinhas: os usineiros querem retomar à máquina do Governo do Estado. A Prefeitura de Maceió é apenas um degrau, pois, a depender do ganhador, um jovem, gratuitamente, como tudo em sua vida, nasceu em berço de ouro, receberá um mandato de Deputado Federal, 0800, como se diz.
Ele já ocupou o cargo e nada realizou pelo povo alagoano. Lutou em favor do setor da indústria da cana. Dizem que o setor está quebrado. Mentira. Viveu sempre sob as asas do Estado patrocinador. Quebrou o Produban.
O jovem, membro de família ilustre, repito, nunca fez nada de significativo por Alagoas. Os usineiros representam o poder econômico e têm influência em setores estratégicos do Estado.
A subida desse jovem representa um grande erro a ser cometido, pois o eleitor, sem o saber, estará dando mais poder de barganha para um setor – existem outros – responsável pelo nosso subdesenvolvimento, que se reflete no nosso baixíssimo índice de desenvolvimento humano(IDH). Há muita miséria e analfabetismo em Alagoas.
A elite deseja que permaneça assim. Vida de gado!
Chega desse ciclo maldito. Usineiros não quebram. Se houver um bom trabalho feito por jornalistas investigativos constatar-se-á que muitos deles têm altos investimentos em São Paulo e outras regiões.
Só o povo pode mudar essa realidade. Não espere nada do Poder Judiciário, que não decide, historicamente, contra o poder econômico. É você, eleitor, o responsável pelo seu destino. Sequer a Polícia Federal, tão respeitada, alcança-os.
Por derradeiro, quanto às denúncias da ilustre jornalista entendo que devem ser apuradas. São problemas estruturais de um Estado que padece uma patologia grave: a leniência com a corrupção. Há muita gente enxertada nas folhas de pagamento sem concurso público. Há os que trabalham.
A maioria não vai sequer lá. Tudo isso eu provo com dados concretos.
No Estado de Alagoas não há espaço para a livre iniciativa e a livre concorrência. Os donos do poder não permitem a entrada de outras indústrias e de outros nichos de mercado.
Você decide.








