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Projeto de deputada oficializa a esmola e humilha (ainda mais) as crianças pobres de Alagoas

Branca, nascida em berço de ouro, estudante das melhores escolas, herdeira de familia tradicional que desde sempre está alocada em cargos públicos.

A deputada Cibele Moura (PSDB) resolveu fazer um périplo pelas nossas escolas públicas no litoral norte, que estão em suas bases eleitorais.

Fez interessantes constatações.

Descobriu que os pobres são negros (sim, eles são herdeiros das senzalas); que atrás de cada pobre existe estômago (e não apenas voto).

Percebeu também que quando as escolas fecham nas férias, as crianças não merendam. Portanto, ficam com fome.

Daí ela apresentou um projeto que os deputados aprovaram, mas depende da assinatura do governador Renan Filho para virar lei: abrir as escolas nas férias só para os alunos comerem.

As escolas poderiam abrir para virar espaços de merenda e também lazer, interação, atividades, esportes, cursos de curta duração, aulas de primeiros socorros, mutirão da cidadania etc.

Não é assim: as escolas serão abertas nas férias exclusivamente para distribuir comida.

É a oficialização da esmola. E trocando a fome por comida- a mais baixa degradação ao ser humano.

Porque a escola viraria a mesma coisa que as filas para distribuição da feira, da sopa ou do peixe na semana santa- aquele programa que algumas prefeituras aproveitam para humilhar ainda mais o já humilhado pobre.

As escolas municipais da Barra de Santo Antônio começam a adotar a ideia.

A Barra é administrada pela mãe da deputada, Emanuella, cujo grupo político- capitaneado pelo marido e pai de Cibele, Abrahão, quer escolher sucessor na administração municipal.

Veja como a proposta de Cibele deveria causar vergonha: as escolas públicas vão distribuir comida a famintos em ano eleitoral.

E como fica a cidadania?

Em lugar nenhum.

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