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Medo ( aracnofobia à intolerância) por Alain Oliveira

Existe algo pessoal que poucas pessoas sabem sobre mim, mas que eu não tenho problema em compartilhar: eu tenho aracnofobia.

Tenho medo de aranha e não importa se é caranguejeira, marrom, armadeira ou dessas que fica na parede da nossa casa.

Ontem eu estava desde as primeiras horas da manhã em nosso apartamento para instalar umas luminárias com um amigo e logo após fazer uma faxina. Por volta de 12h tive que ir até o carro e ao retornar para o apartamento decidi ver algumas mensagens que haviam chegado no Whatsapp no dia anterior.

Comecei pelo grupo do condomínio e a mensagem que eu li tinha mais ou menos isso: “pessoal, aqui no 14° andar apareceu uma caranguejeira enorme” – já estava no meu andar e tinha que descer, mas não consegui caminhar até o final do corredor. Fiquei parado, olhando para todos os cantos. Se o porteiro me viu pelas câmeras deve ter acreditado que eu estava em uma crise de sanidade.

Quando decidi ir até o meu apartamento, entrei devagar, olhei todos os lugares, fechei todas as janelas e passei o resto da tarde com medo, pensado na bendita aranha que havia chegado 4 andares acima. Pensando que poderia aparecer outra aranha pela janela ou saindo de algum ralo.

E ali sozinho comecei a refletir como o medo paralisa e impede de viver. E então eu me lembrei que esta semana ouvi de uma senhora de 84 anos, Mãe Mirian, que há mais de 70 anos é umbandista, mas até hoje tem medo de professar sua fé religiosa abertamente. Ela não faz isso em todos os lugares.

Lembrei também de relatos de LGBT’s que têm medo de saírem às ruas e também de mulheres que têm medo de seus companheiros. Situações que impedem uma vida de plenitude.

Voltando a aranha, eu sabia que se ela ou outra aparecesse ali eu não iria morrer. A não ser que eu tivesse um infarto devido ao medo. Porém caranguejeiras não matam, já pesquisei sobre isso, mas pessoas matam caranguejeiras e também outras pessoas simplesmente por ódio.

Talvez o maior desafio da humanidade seja conviver com a liberdade e isso vale para a nossa liberdade e a do outro. Por que ela incomoda tanto? Como trabalhar certos medos se ainda temos medo da liberdade?
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